A entrada do Google no agentic retail pode redefinir o varejo digital global

TECNOLOGIAS

Redação

1/28/20263 min read

O varejo digital está diante de um ponto de inflexão histórico. A entrada do Google no chamado agentic retail — modelo em que agentes de inteligência artificial atuam como intermediários ativos das compras — sinaliza o nascimento de um novo colosso do comércio digital.


Segundo análise publicada pela Forbes Brasil, o movimento posiciona o Google muito além de buscador, plataforma de anúncios ou fornecedor de infraestrutura tecnológica. Ele passa a disputar, de forma direta, o papel de orquestrador da jornada de compra, algo que até agora estava concentrado em marketplaces e grandes varejistas digitais.


O que é agentic retail — e por que ele muda tudo


O agentic retail representa uma ruptura no comportamento de consumo online. Em vez de o consumidor pesquisar, comparar e decidir manualmente, agentes de IA passam a executar esse processo de ponta a ponta.

Na prática, o usuário define objetivos e restrições — como preço máximo, prazo de entrega, reputação do vendedor ou critérios de sustentabilidade — e o agente:


1 - analisa milhares de opções;


2 - compara dados objetivos;


3 - escolhe a melhor alternativa;


4 - executa a compra.


Esse modelo vem sendo debatido globalmente em fóruns de tecnologia e varejo, como a NRF Retail’s Big Show, que aponta os agentes inteligentes como o próximo grande intermediário do comércio digital.


Por que o Google larga na frente nessa corrida


A entrada do Google no agentic retail não é um movimento isolado. Ela se apoia em três ativos estratégicos que poucas empresas no mundo possuem simultaneamente:


1️- Domínio da intenção de compra


O Google já captura a intenção do consumidor no momento exato em que ela nasce — seja por buscas, comandos de voz ou interações com assistentes de IA. Isso dá à empresa uma vantagem estrutural sobre marketplaces, que entram apenas quando o consumidor já decidiu comprar.


2️- Infraestrutura de dados e IA em escala global


Com modelos avançados de IA generativa, sistemas de recomendação e capacidade de processamento em larga escala, o Google reúne as condições técnicas para operar agentes autônomos com alto grau de precisão.


3️- Ecossistema de comércio já existente


Ferramentas como Google Shopping, pagamentos integrados e APIs de produtos criam o ambiente ideal para conectar marcas, lojistas e consumidores em uma lógica agentic.


Esse conjunto transforma o Google em algo inédito: um mediador inteligente entre desejo, decisão e compra.


O impacto direto para marketplaces e varejistas


A ascensão do agentic retail tende a redistribuir poder no e-commerce. Marketplaces tradicionais podem perder protagonismo se deixarem de ser o ponto inicial da jornada.


Em um cenário dominado por agentes de IA:


  • a disputa não será apenas por tráfego, mas por recomendação algorítmica;


  • marcas precisarão ser legíveis para máquinas, não apenas atraentes para humanos;


  • reputação, dados estruturados e confiabilidade operacional se tornam critérios centrais.


A Forbes Brasil destaca que esse modelo reduz o peso do marketing emocional e amplia a importância de indicadores objetivos como avaliações, histórico de entrega e consistência de preços.


Reputação, dados e confiança viram ativos técnicos


No agentic retail, reputação deixa de ser discurso de marca e passa a ser métrica operacional. Agentes de IA avaliam empresas com base em dados verificáveis, como:


  • avaliações reais de clientes;


  • taxas de devolução;


  • cumprimento de prazos logísticos;


  • clareza e padronização das informações de produto.


Isso reforça uma tendência já observada no e-commerce: não há mais espaço para improviso operacional. Quem não investe em dados confiáveis e processos sólidos simplesmente deixa de ser recomendado.


O que muda para o e-commerce brasileiro


Para o varejo digital brasileiro, a entrada do Google no agentic retail traz aprendizados claros:


SEO evolui para “AI-readiness”: não basta ser encontrado por humanos; é preciso ser interpretado corretamente por agentes de IA.


Dados de produto se tornam infraestrutura: descrições incompletas, atributos mal preenchidos e preços inconsistentes perdem competitividade.


Estratégia supera canal: o foco deixa de ser “onde vender” e passa a ser “como ser escolhido” por sistemas inteligentes.


Empresas que estruturarem desde já seus dados, reputação e arquitetura tecnológica tendem a sair na frente.


Uma mudança comparável ao surgimento dos marketplaces


Historicamente, o varejo digital passou por grandes rupturas: a popularização do e-commerce, a consolidação dos marketplaces e a ascensão do mobile commerce. O agentic retail pode ser o próximo grande capítulo dessa história.


Assim como muitos varejistas subestimaram o impacto dos marketplaces no passado, há o risco de o mercado repetir o erro ao tratar os agentes de IA apenas como “mais uma tecnologia”.


Conclusão: não é sobre tecnologia, é sobre controle da decisão


A entrada do Google no agentic retail não representa apenas mais um concorrente no varejo digital. Ela inaugura uma disputa pelo controle da decisão de compra.


Quem dominar essa camada — onde dados, intenção e execução se encontram — passa a definir quais marcas crescem e quais se tornam invisíveis.


Para o ecossistema de e-commerce, o recado é direto:

o futuro do varejo será mediado por agentes inteligentes, e a preparação começa agora

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