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A fábrica que ainda manda catálogo por PDF vai fechar.
ALDO PACHECO
Colunista
6/16/20266 min read


| Aldo Pacheco
Um profissional apaixonado por desafios e inovação, com mais de 20 anos de experiência no crescimento de empresas de tecnologia. Atualmente, é Head de Inovação na Diponto, liderando iniciativas em transformação digital, IA e crescimento escalável.
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Toda semana aparece alguém vendendo "a solução definitiva para o B2B digital" com um slide bonito, um case duvidoso e aquela energia de quem acabou de ler o primeiro livro sobre transformação digital. O mercado está cheio disso. E as fábricas, os atacados e as indústrias continuam comprando essa narrativa rasa enquanto o processo interno segue igual: planilha por e-mail, PDF de catálogo com preço desatualizado e regra comercial anotada no caderno do gerente.
Segundo a McKinsey, 65% das interações B2B já acontecem por canais digitais, e compradores industriais concluem até 70% da jornada de compra antes de falar com qualquer vendedor. Isso não é tendência. Isso já é realidade. E a maioria das indústrias brasileiras ainda está discutindo se "vale a pena investir nisso".
Mas aqui está o erro conceitual que destrói projetos antes de começarem: a ideia de que digitalizar B2B significa substituir o representante comercial. É aqui que a conta não fecha, e os cemitérios de projetos estão lotados de lápides com essa inscrição.
Pense no Led Zeppelin. Você pode trocar o Jimmy Page por uma guitarra melhor? Pode contratar um baterista mais técnico que John Bonham e esperar o mesmo resultado? A banda era o conjunto, e cada peça tinha um papel insubstituível na alquimia do som. O B2B funciona exatamente assim. O representante, o consultor, o vendedor de campo, eles são o Plant, o Page, o Bonham. A tecnologia é o estúdio de última geração, o equipamento que transforma talento em obra-prima.
O projeto certo não retira o vendedor da equação. Ele transforma esse vendedor em algo absurdamente mais poderoso. Um consultor com acesso a um agente de IA que analisa o histórico de compras do cliente, identifica padrão de churn antes que o cliente perceba, sugere o produto certo na hora certa e ainda gera uma proposta personalizada em segundos… esse consultor não vale por um. Ele vale por vinte.
Isso não é ficção científica. Ferramentas de sales intelligence com IA preditiva, como as que empresas do setor já adotam em mercados mais maduros, permitem que um vendedor gerencie carteiras que antes exigiriam uma equipe inteira. A Harvard Business Review documentou que representantes equipados com analytics preditivo aumentam em até 50% a taxa de conversão em ciclos de venda complexos. Não é sobre ter mais gente. É sobre fazer cada pessoa valer exponencialmente mais.
E os gestores? Eles precisam parar de olhar para o espelho retrovisor e começar a usar o painel de navegação. Dashboard que mostra o que vendeu no mês passado é história. O que o mercado exige agora são modelos preditivos que mapeiam os milhares de futuros possíveis, que apontam qual cliente vai comprar mais nos próximos 90 dias, qual vai sumir e qual está prestes a migrar para o concorrente. Big data aplicado ao B2B não é luxo de multinacional. É sobrevivência.
A prospecção também não pode mais depender de feeling e lista fria. Ferramentas de intent data identificam empresas que estão ativamente pesquisando o que você vende, neste exato momento. Isso é dinamite pura na mão do representante certo.
Marketplace não é vitrine. É campo de batalha produto a produto.
Tem uma conversa que precisa acabar logo nas salas de reunião das indústrias brasileiras: a de que marketplace é "canal de apoio" ou que "a gente coloca o portfólio lá e vê o que acontece". Não. Marketplace é guerra de precisão cirúrgica, e quem entra atirando para tudo erra tudo.
O Mercado Livre movimentou mais de 42 bilhões de dólares em GMV na América Latina em 2023, segundo seus próprios relatórios. A Amazon Brasil cresce em ritmo acelerado no segmento de produtos industriais e de fornecimento. Esses números não são convite para jogar o catálogo inteiro na plataforma. São um aviso de que quem não entrar com estratégia vai financiar o sucesso de quem entrou.
A lógica correta é outra: identificar quais produtos têm margem real, giro consistente e potencial de ganhar o buybox, e trabalhar cada um deles como se fosse um negócio separado. Título, imagem, descrição, precificação dinâmica, gestão de estoque integrada. Um produto bem trabalhado em marketplace bate, com frequência, o resultado de dez produtos jogados lá sem critério.
E aqui está o ponto que a maioria ignora até sentir na pele: construir audiência dentro do marketplace é construir casa no terreno alheio. O algoritmo muda, a comissão sobe, a política se altera, e do dia para a noite seu canal mais rentável vira um problema. Por isso a inteligência está em usar o marketplace como porta de entrada e converter esse cliente para seus canais próprios, e-mail, WhatsApp, programa de fidelidade, loja própria. Vender bem no Mercado Livre é inteligente. Depender só dele é vulnerabilidade disfarçada de resultado.
Canais são como músculo: quem tem mais, aguenta mais.
Uma marca poderosa não é a que vende muito em um canal. É a que vende em muitos canais ao mesmo tempo, com consistência e sem perder a cabeça operacional. Isso, sem tecnologia de integração, é simplesmente impossível. Não é difícil. É impossível.
Gerenciar precificação, estoque, pedido, atendimento e reputação em simultâneo no Mercado Livre, Amazon, Shopee, loja própria, B2B Portal, WhatsApp Commerce e ainda nos representantes de campo, manualmente, é como tentar dirigir seis carros ao mesmo tempo. O resultado todo mundo conhece.
A lógica da multicanalidade não é estar em todo lugar por vaidade. É sobre reduzir o risco de dependência e ampliar os pontos de contato com o cliente no momento em que ele decide comprar. Segundo estudo da Aberdeen Group, empresas com estratégias omnichannel bem estruturadas retêm em média 89% dos clientes, contra 33% das que operam em canal único. A diferença não é pequena. É a diferença entre uma empresa que cresce e uma que sobrevive por inércia.
Hub de integração, gestão centralizada de catálogo, automação de reprecificação e sincronização de estoque em tempo real deixaram de ser investimento para empresas grandes. Hoje são o básico para quem quer jogar de verdade.
Para quem tem fábrica e loja: O CPF É UM SÓ!
Existe um equívoco caro, que muitas indústrias com operação física cometem ao abrir um canal digital: tratar os dois mundos como se fossem clientes diferentes. Criam times separados, metas separadas, estratégias separadas, e às vezes até guerras internas sobre qual canal "roubou" a venda do outro.
A realidade é brutalmente mais simples. O consumidor que compra na sua loja física na terça-feira pode ser o mesmo que pesquisou o produto no seu e-commerce na segunda, viu um anúncio no Instagram na sexta e decidiu ir até a loja porque queria tocar antes de comprar. É o mesmo CPF. É o mesmo ser humano, com o mesmo dinheiro, que escolheu o canal de acordo com o contexto do momento.
Sua empresa quer vender ou quer vender em determinados lugares? O real que entra pelo caixa da loja tem o mesmo valor do real que entra pelo gateway de pagamento. A integração entre o online e o offline, estoque unificado, histórico de compras consolidado, programa de fidelidade que funciona nos dois ambientes, atendimento que conhece o cliente independentemente de onde ele aparece, não é diferencial competitivo. É respeito pelo cliente que você já conquistou.
A indústria que digitaliza seus processos comerciais com inteligência, que automatiza regras de preço, políticas de desconto, fluxo de pedido e gestão de carteira, que potencializa o humano com tecnologia real, que usa marketplace com estratégia cirúrgica, que multiplica canais com integração e que trata o on e o off como faces da mesma operação, essa indústria não compete mais no mesmo campeonato das outras.
Ela joga em outra liga. E as que ficam mandando PDF por e-mail? Bem. O mercado é honesto com quem insiste em ficar parado.
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