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A Troca de Guarda no Varejo: E-commerce Dispara 157% Enquanto Shoppings Amargam Queda Real de 20%

LOGÍSTICA

Redação

11/29/20253 min read

O varejo brasileiro viveu, nos últimos cinco anos, sua transformação mais radical. Não se trata apenas de uma "digitalização", mas de uma reconfiguração estrutural de onde e como o dinheiro do consumidor é gasto. Uma análise comparativa dos dados de 2019 a 2024 aponta para uma realidade dura, porém inegável: enquanto os shopping centers enfrentam um encolhimento real de receitas e público, o e-commerce explodiu, tornando-se o motor de crescimento do setor.

Para entender a magnitude dessa mudança, é preciso ir além dos números nominais e olhar para o impacto da inflação e do comportamento do consumidor.

A Ilusão do Crescimento nos Shoppings

À primeira vista, o setor de shopping centers parece ter se mantido estável. O faturamento nominal subiu de R$ 192,8 bilhões em 2019 para cerca de R$ 198,4 bilhões em 2024. No entanto, essa estabilidade é uma miragem financeira.

Quando aplicamos a correção inflacionária do período (IPCA acumulado) aos valores de 2019, o faturamento necessário para apenas "empatar" com o poder de compra daquele ano deveria ser de R$ 247,6 bilhões.

A realidade dos números revela um cenário preocupante para o modelo tradicional:

  • Queda Real de Faturamento: Ao faturar R$ 198,4 bilhões em 2024, o setor apresenta uma retração real de aproximadamente 19,8% em comparação com o cenário pré-pandemia. O setor encolheu quase um quinto de seu tamanho econômico real.

  • Expansão da Oferta, Diluição da Demanda: O número de shoppings cresceu de 577 para 648 empreendimentos. Contudo, essa expansão física não foi acompanhada pelo público. O fluxo mensal de visitantes caiu de 502 milhões (2019) para 476 milhões (2024).

  • O Veredito: Temos mais shoppings disputando menos pessoas e gerando menos riqueza real.

O Salto Quântico do E-commerce

Enquanto o varejo físico lida com a estagnação, o comércio eletrônico protagonizou uma ascensão meteórica. Em 2019, o e-commerce brasileiro faturava R$ 61,9 bilhões. Em 2024, esse número saltou para impressionantes R$ 204,3 bilhões.

Mesmo ao descontar a inflação — onde os R$ 61,9 bilhões de 2019 equivaleriam a R$ 79,6 bilhões hoje — o crescimento é avassalador:

  • Crescimento Real: O e-commerce registrou uma alta real de aproximadamente +157% no período.

  • A Virada Histórica: Pelos dados analisados, 2024 marca um ponto de inflexão simbólico e financeiro. O faturamento total do e-commerce (R$ 204,3 bi) superou o faturamento total estimado dos shopping centers (R$ 198,4 bi).

O Que Isso Significa para o Mercado?

Essa disparidade de desempenho — uma queda de quase 20% de um lado contra um crescimento de 157% do outro — dita as novas regras do jogo para 2025 em diante:

  1. O Fim do "Passeio de Compras": A queda no fluxo de visitantes dos shoppings (mesmo com mais unidades abertas) sugere que o consumidor não vai mais ao shopping apenas para comprar produtos — algo que ele faz online com mais eficiência. O shopping center vira, obrigatoriamente, um centro de serviços, gastronomia e entretenimento. A loja física que serve apenas como estoque está com os dias contados.

  2. A Consolidação do Hábito Digital: O crescimento de 157% não é fruto apenas da pandemia, mas da manutenção do hábito pós-crise. A logística melhorou, a confiança aumentou e a variedade de produtos online é imbatível.

  3. Omnicanalidade como Sobrevivência: Para o lojista de shopping, integrar-se ao digital não é mais um "diferencial", é a única forma de capturar o crescimento que não entra mais pela porta da frente da loja.

Conclusão

Os números de 2024 deixam claro: o dinheiro mudou de endereço. Enquanto os tijolos lutam para manter sua relevância econômica diante da inflação, os pixels e a logística constroem a nova espinha dorsal do varejo brasileiro. Para gestores e empreendedores, a mensagem é clara: ou sua operação abraça a eficiência do digital, ou ela será estatística na retração do físico.

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