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A vitória silenciosa do agro —números de 2024/2025

PATRICIA GALASINI

Colunista

2/16/20263 min read

| Patricia Galasini

Presidente da Câmara Setorial de Olivicultura de SP e fundadora da Agência JKPG, com 20 anos de atuação no mercado. Referência na difusão da cultura do azeite de qualidade no Brasil e no mundo, é consultora estratégica para empresas alimentares e grandes players do Agro de SP. Professora em instituições renomadas, também atua como influenciadora digital, conectando conhecimento e mercado. Com forte presença no setor de eventos presenciais e online, promove conexões que impulsionam negócios, fortalecem o agronegócio e impulsionam a inclusão alimentar no Brasil. Seu trabalho alia excelência, inovação e sustentabilidade para transformar o mercado global de alimentos.

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O salto de produtividade do agro não foi só um avanço setorial. Foi um evento sistêmico que reorganizou a base de sustentação da economia e elevou a estabilidade do país. A incorporação de ciência do solo, genética, mecanização, biotecnologia, gestão por dados, agricultura de precisão, logística e inteligência transformou o agro em algo maior que um setor: uma infraestrutura civilizatória.

O que muda, objetivamente?

O agro deixou de “entregar produtos” e passou a entregar previsibilidade macro. Em 2025, o valor agregado do agronegócio deve alcançar R$ 3,79 trilhões, com R$ 2,57 tri no ramo agrícola e R$ 1,22 tri no pecuário, segundo CNA/Cepea. No PIB trimestral, a agropecuária avançou +10,1% no 1º semestre de 2025 frente a 2024, puxando o crescimento nacional, de acordo com o IBGE.

Do lado externo, as exportações do agronegócio ultrapassaram US$ 153 bilhões de janeiro a novembro de 2024 e fecharam 2025 com recorde de ~US$ 169 bilhões, fortalecendo a balança comercial e ancorando inflação de alimentos. No lado da oferta, as projeções de safra 2025/26 apontam manutenção do patamar elevado de produção de grãos — com novas áreas e produtividade ainda robusta — segundo a Conab.

Essa previsibilidade não surgiu de um “silver bullet”, e sim de um stack tecnológico que se retroalimenta: ciência do solo reduz desperdício de insumos; genética entrega resiliência; mecanização e automação aliviam restrição de mão de obra; biotecnologia reduz perdas; agricultura de precisão transforma dado em decisão; logística inteligente — armazéns, rastreabilidade, cadeia fria — evita destruição de valor entre porteira e mercado.

O efeito transborda. Energia: biomassa, biogás e etanol estabilizam a matriz.

Indústria: máquinas, sensores, software, embalagens e finanças puxam P&D e

empregos qualificados. Digital: conectividade rural e telemetria criam backbone para crédito agroclimático e seguros paramétricos. Social: renda no interior sustenta comércio e serviços, reduzindo assimetria regional.

Governança virou padrão operacional: HACCP digital, KPIs por talhão, compliance ambiental com MRV, integração ERP/WMS/IoT. Resultado: mais confiança de risco para bancos e investidores e custo de capital menor para o produtor. O ciclo é reforçado por crédito com escala: o Plano Safra 2025/26 destinou R$ 516,2 bilhões ao agro empresarial e R$ 89 bilhões à agricultura familiar, com incentivo explícito a práticas sustentáveis, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Há gargalos: logística crítica, variabilidade climática e gaps de qualificação. A resposta já está em curso: cultivares tolerantes a estresse hídrico/térmico, irrigação inteligente, bioinsumos com lastro técnico, seguros por índice, redes de dados abertas e descarbonização ponta a ponta (mensuração de emissões/sequestro).

O próximo salto é orquestrar ecossistemas — integrar agricultura, energia, dados e finanças na mesma arquitetura — com três movimentos:

1. Padronizar métricas (solo, água, carbono, produtividade) para tornar projetos

comparáveis e financiáveis.

2. Escalar crédito inteligente que remunere práticas de baixo carbono e resiliência

climática (ancorado no Plano Safra).

3. Industrializar informação do campo, transformando dados operacionais em

ativos financeiros (seguros, contratos, antecipação de recebíveis).

Quando o agro opera nesse patamar, ele não só exporta: estabiliza o país (PIB, inflação de alimentos, emprego no interior) e empurra a fronteira tecnológica. Eis a vitória silenciosa: ela aparece no pão que não sobe toda semana, no combustível com bioenergia, na prateleira abastecida, no investidor que volta e no jovem que fica no campo porque há tecnologia, renda e futuro.

Com os números de 2024/2025, a tese fica objetiva: mais produção com menos volatilidade e mais governança. O caminho adiante é consolidar padrões, acelerar inovação aberta e transformar cada safra em dado acionável — para que a vitória silenciosa deixe de ser exceção e se torne estratégia permanente.

Fontes – CNA Brasil, e GOV.BR

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