Agentic Commerce: por que o futuro do e-commerce pode não ter mais “cliques”
TECNOLOGIAS
Redação
4/6/20263 min read
O e-commerce está prestes a passar por uma transformação tão profunda quanto a chegada dos marketplaces ou do mobile commerce. O conceito de Agentic Commerce, destacado por Diego Puerta em artigo publicado no LinkedIn, propõe uma mudança radical: a substituição da jornada tradicional de compra por decisões automatizadas feitas por agentes de inteligência artificial.
Em vez de navegar, comparar e escolher produtos manualmente, o consumidor delega essas tarefas a sistemas inteligentes que entendem suas preferências, orçamento e contexto — e realizam a compra de forma autônoma.
Essa mudança não é apenas tecnológica. Ela pode redefinir completamente a forma como marcas, plataformas e consumidores se relacionam no ambiente digital.
O que é Agentic Commerce na prática
O termo Agentic Commerce se refere ao uso de agentes autônomos — baseados em inteligência artificial — capazes de executar tarefas completas dentro do processo de compra.
Isso inclui:
. pesquisar produtos
. comparar preços e avaliações
. tomar decisões com base em preferências do usuário
. finalizar compras automaticamente
Segundo a análise de Diego Puerta, o ponto central dessa transformação é que o e-commerce deixa de ser uma experiência centrada na interface (sites e apps) e passa a ser uma experiência centrada em decisão automatizada.
Ou seja, o consumidor não precisa mais “navegar”. Ele apenas define intenções.
A ruptura da jornada tradicional de compra
Hoje, a jornada de compra digital segue um padrão conhecido:
- Busca
- Comparação
- Avaliação
- Decisão
- Compra
No modelo de Agentic Commerce, grande parte dessas etapas pode desaparecer.
A decisão deixa de ser baseada em estímulos visuais (como banners, vitrines e anúncios) e passa a ser baseada em dados, histórico e algoritmos de recomendação avançados.
Esse movimento já começou.
Segundo a McKinsey, empresas que utilizam inteligência artificial em processos de decisão conseguem aumentar significativamente a eficiência e personalização, especialmente em marketing e vendas.
O impacto direto para o marketing digital
Se agentes de IA passam a tomar decisões de compra, o papel do marketing muda completamente.
Hoje, grande parte das estratégias digitais é construída para influenciar humanos por meio de:
. anúncios
. landing pages
. design
. copywriting
No futuro, essas estratégias precisarão ser adaptadas para influenciar algoritmos.
Isso significa que fatores como:
. dados estruturados
. reputação da marca
. avaliações e feedbacks
. consistência de preço
. performance logística
Passam a ter ainda mais peso na decisão de compra.
O fim da “interface como protagonista”
Um dos pontos mais provocativos levantados por Diego Puerta é que o e-commerce pode deixar de ser uma experiência visual.
Se a decisão acontece dentro de um agente de IA, o site deixa de ser o principal canal de conversão.
Isso não significa que interfaces irão desaparecer, mas sim que perderão protagonismo.
Essa tendência já pode ser observada com o crescimento de:
- Assistentes virtuais
- Buscas por voz
- Compras via chat
- Recomendações automatizadas
Segundo a Gartner, até 2026, grande parte das interações digitais com consumidores poderá ser mediada por sistemas baseados em inteligência artificial.
O que muda para marketplaces e plataformas
Para marketplaces, o impacto pode ser ainda mais profundo.
Hoje, essas plataformas competem por:
. tráfego
. visibilidade
. experiência de navegação
No modelo de Agentic Commerce, a disputa pode migrar para:
. integração com agentes de IA
. qualidade dos dados
. eficiência logística
. confiança da marca
Ou seja, o jogo deixa de ser “quem atrai mais usuários” e passa a ser “quem é escolhido pelos algoritmos”.
Oportunidades e riscos para o ecossistema
A chegada do Agentic Commerce traz oportunidades, mas também desafios importantes.
Oportunidades:
Maior eficiência na jornada de compra
Aumento da conversão
Personalização em escala
Redução de fricção no processo
Desafios:
Perda de controle da experiência de compra
Dependência de plataformas de IA
Necessidade de adaptação tecnológica
Mudança no papel do marketing
Empresas que entenderem essa transformação cedo tendem a sair na frente.
O que o e-commerce precisa fazer agora
Mesmo sendo uma tendência emergente, o Agentic Commerce já aponta direções claras para o presente.
Empresas podem começar se preparando com ações como:
Estruturar melhor seus dados de produto
Investir em reputação e avaliações
Melhorar eficiência logística
Integrar sistemas e plataformas
Explorar uso de inteligência artificial em atendimento e recomendação
Segundo a PwC, empresas que investem em IA conseguem ganhos relevantes em eficiência operacional e experiência do cliente.
Conclusão: o futuro do e-commerce será menos visual e mais inteligente
A reflexão proposta por Diego Puerta sobre o Agentic Commerce não é apenas uma tendência distante — é um sinal claro de para onde o mercado está caminhando.
O e-commerce, como conhecemos hoje, foi construído sobre interfaces, cliques e navegação.
O próximo ciclo pode ser baseado em:
- Intenção
- Automação
- Inteligência
Para o ecossistema da ExpoEcomm, o aprendizado é direto:
O futuro não será apenas de quem vende melhor…, mas de quem consegue ser escolhido, por humanos e por máquinas.
E nesse novo cenário, entender tecnologia deixa de ser diferencial. Passa a ser requisito.
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