Assaí fecha parceria com Mercado Livre para vender online: o atacarejo entra de vez no jogo do e-commerce
GESTÃO
Redação
2/27/20263 min read
A movimentação que sinaliza uma nova fase para o “supermercado digital” no Brasil
O Assaí Atacadista anunciou uma parceria com o Mercado Livre para iniciar suas vendas online em escala, marcando a entrada do atacarejo em um canal que, até aqui, era explorado de forma mais limitada (principalmente via apps de delivery). A operação deve começar no segundo trimestre de 2026, com foco inicial no Sudeste, e expansão gradual para o restante do país até o fim de 2026, segundo comunicados e reportagens do setor.
Para o e-commerce brasileiro, o recado é claro: alimentos e itens essenciais estão acelerando a migração para modelos de marketplace + fulfillment, com logística e experiência puxando a competitividade.
Como vai funcionar: Assaí no marketplace, logística “full” do Mercado Livre
A parceria prevê que o Assaí venda dentro do marketplace do Mercado Livre utilizando o modelo de fulfillment (armazenagem e entrega operadas pelo próprio Mercado Livre). Na largada, a operação deve começar com cerca de 400 itens (SKUs), concentrados em não perecíveis e categorias como mercearia, higiene, limpeza e perfumaria.
Pontos centrais divulgados:
início a partir do fim de março / 2º trimestre, começando pelo Sudeste;
estoque e expedição a partir de três centros de distribuição do Mercado Livre em São Paulo;
entrega para todo o Brasil prevista até o fim de 2026 (expansão gradual).
Na prática, o Assaí passa a “alugar” um motor logístico pronto — e o Mercado Livre reforça sua ofensiva em supermercados e itens de consumo recorrente.
Por que isso importa: atacarejo quer crescimento com menos CAPEX
Segundo declarações repercutidas pela imprensa, a aposta faz sentido para o Assaí porque pode destravar crescimento com menor investimento do que abrir novas lojas físicas, em um momento em que a companhia tem reduzido o ritmo de aberturas e buscado eficiência financeira.
Além disso, o Assaí não operava e-commerce próprio de forma ampla: sua atuação digital para consumidor final era mais associada a terceiros (como apps de delivery), o que limita escala, sortimento e controle da jornada.
O que o Mercado Livre ganha: recorrência, cesta e frequência
Para o Mercado Livre, vender supermercado (ainda que inicialmente só não perecíveis) fortalece três alavancas:
Aumento de frequência: itens essenciais fazem o cliente voltar mais vezes.
Cesta recorrente: compras repetidas ajudam a reduzir dependência de datas promocionais.
Ecossistema: o modelo “full commerce” amplia receita de serviços (armazenagem e entrega), não só comissão de venda.
A operação também inclui benefícios como cashback via Mercado Pago para membros do programa Meli+, segundo executivos das empresas.
Impactos práticos para marcas e sellers no e-commerce
Para o ecossistema da ExpoEcomm, esse movimento traz implicações diretas:
1) A logística virou o produto
Supermercado online depende de promessa: prazo, disponibilidade e rastreio. Ao optar por fulfillment, o Assaí tenta “começar grande” em experiência sem construir tudo do zero.
2) Mais competição por atenção em itens de giro
Marcas de mercearia, limpeza e higiene podem ver aumento de disputa por ranqueamento e preço, já que novos sortimentos entram em um dos maiores marketplaces do país.
3) Marketplace como porta de entrada do digital
O caso reforça a tese: para muitos grandes varejistas, marketplace + operação logística terceirizada pode ser o caminho mais rápido para ganhar escala online — especialmente em categorias onde capilaridade e last mile decidem.
O que observar nos próximos meses
Alguns pontos devem definir o sucesso da parceria:
ampliação do sortimento além dos ~400 SKUs iniciais;
evolução de SLAs e custos por entrega (principalmente fora do Sudeste);
como o modelo lida com preço e competitividade — tema citado pelo CEO do Assaí ao afirmar confiança em manter nível competitivo mesmo com as taxas pagas ao Mercado Livre.
Conclusão: supermercados e atacarejo entram na era do “e-commerce com infraestrutura pronta”
A parceria entre Assaí e Mercado Livre é mais do que um novo canal: ela simboliza a consolidação de um modelo em que varejistas entram no digital com velocidade usando marketplace e fulfillment, testam demanda, ganham capilaridade e só depois decidem o quanto internalizar.
Para o e-commerce brasileiro, é um sinal forte de 2026: a próxima onda de crescimento vem da recorrência, e quem dominar abastecimento, logística e experiência vai capturar a frequência — o KPI mais valioso do varejo de essenciais.
Leia também
© 2026 ExpoEcomm. Todos os direitos reservados.


