Busca por IA já reduz cliques em até 95%

MARKETPLACE

Redação

4/29/20264 min read

a person holding a cell phone in their hand
a person holding a cell phone in their hand

A ascensão das buscas com IA está mudando o jogo da descoberta digital e obrigando marcas a repensarem SEO, conteúdo e conversão

Durante anos, a lógica da busca digital foi simples: aparecer bem no Google significava atrair tráfego, gerar visitas e converter vendas. Mas essa dinâmica está mudando rápido.

Com o avanço das buscas via IA, o modelo tradicional de tráfego orgânico começa a perder força. Segundo um estudo repercutido pelo E-Commerce Brasil com base em relatório da Akamai, buscas com respostas geradas por inteligência artificial já reduzem em mais de 95% o tráfego direcionado para sites em determinados contextos.

O dado acende um alerta importante para o e-commerce: a disputa digital está deixando de ser apenas por cliques e passando a ser por presença, autoridade e conversão dentro de novos ambientes de descoberta.

O que muda com a busca via IA

A lógica da busca tradicional sempre funcionou como uma ponte entre usuário e site. O consumidor pesquisava, escolhia um link e acessava uma página.

Agora, esse caminho está sendo encurtado.

Com ferramentas como Google AI Overviews, ChatGPT, Perplexity e outros mecanismos de resposta generativa, o usuário passa a receber a resposta pronta antes mesmo de clicar em qualquer resultado.

Na prática, isso muda completamente a dinâmica:

  • menos cliques;

  • menos visitas ao site;

  • menos pageviews;

  • menos dependência de ranking tradicional.

Segundo a Pew Research Center, quando uma resposta com IA aparece, usuários clicam em links em apenas 8% das buscas, contra 15% quando não há resumo gerado por IA.

Ou seja: o tráfego diminui, mesmo quando a busca continua existindo.

O problema não é só menos tráfego — é menos controle

Para o e-commerce, o impacto vai além da queda de visitas.

O problema real é que a IA começa a intermediar a descoberta.

Isso significa que o consumidor pode:

  • descobrir produtos sem visitar seu site;

  • comparar marcas sem acessar sua vitrine;

  • tomar decisões com base em respostas sintetizadas por IA.

Em outras palavras, o site deixa de ser o primeiro ponto de contato e passa a ser apenas uma das possíveis etapas da jornada.

Esse movimento muda o centro da disputa digital: sair da briga por cliques e entrar na briga por ser citado, recomendado e priorizado por mecanismos de IA.

O SEO não morreu — mas mudou de função

A consequência mais imediata dessa transformação é uma mudança no papel do SEO.

Antes, SEO era sobre atrair tráfego.

Agora, passa a ser também sobre:

  • estruturar informação para IA;

  • aumentar autoridade semântica;

  • gerar contexto confiável;

  • ser elegível para respostas automatizadas.

Esse novo cenário já vem sendo tratado por especialistas como uma evolução do SEO para modelos como AEO (Answer Engine Optimization) e GEO (Generative Engine Optimization), focados em tornar marcas mais visíveis em motores de resposta, não apenas em buscadores tradicionais.

Na prática, isso significa que o conteúdo precisa ser pensado não só para humanos ou buscadores — mas também para sistemas que resumem, interpretam e redistribuem informação.

Menos tráfego, mais qualificação

Embora a queda no volume de cliques pareça negativa, há uma nuance importante.

O tráfego que continua chegando tende a ser mais qualificado.

Segundo análises de mercado reunidas em estudos sobre AI Overviews, a queda de cliques é real, mas os acessos que permanecem tendem a ter intenção mais alta e melhor potencial de conversão.

Isso muda uma lógica importante no e-commerce:

o foco deixa de ser apenas atrair mais visitantes e passa a ser extrair mais valor de cada visita.

Em outras palavras:

menos tráfego, mais eficiência.

O impacto direto no e-commerce

Para o varejo digital, essa mudança afeta cinco pilares centrais.

1. Descoberta de produto

A IA passa a influenciar o primeiro contato entre consumidor e marca.

2. SEO e conteúdo

Conteúdo deixa de ser apenas canal de aquisição e passa a ser ativo de autoridade.

3. Conversão

Com menos visitas, cada sessão precisa converter melhor.

4. Branding

Marcas fortes tendem a ser mais lembradas, citadas e priorizadas.

5. Dependência de mídia

Empresas excessivamente dependentes de tráfego pago e busca tradicional ficam mais vulneráveis.

O novo jogo: da busca para a autoridade

O grande aprendizado é que o tráfego não desapareceu — ele está mudando de natureza.

A busca continua existindo.
O que muda é o caminho.

No novo cenário, vencer não depende apenas de ranquear melhor.
Depende de construir presença, autoridade e relevância em múltiplos ambientes.

Isso exige:

  • conteúdo melhor estruturado;

  • marca mais forte;

  • dados mais organizados;

  • experiência mais eficiente;

  • maior foco em retenção e conversão.

Conclusão: o futuro não será de quem atrai mais cliques, mas de quem gera mais confiança

A ascensão das buscas via IA representa uma das mudanças mais profundas da história recente da internet.

Para o e-commerce, o impacto é direto: depender exclusivamente de tráfego orgânico tradicional será cada vez mais arriscado.

O jogo agora não é apenas sobre atrair visitas.
É sobre ser encontrado, compreendido e escolhido — mesmo quando o clique não acontece.

Para o público da ExpoEcomm, o recado é claro:

o futuro da performance não está em gerar mais tráfego.
Está em construir mais autoridade, mais contexto e mais conversão.

Porque no novo e-commerce, não vence quem recebe mais visitas.
Vence quem continua relevante mesmo quando ninguém clica.

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