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D2C como nova fronteira de crescimento: oportunidade ou armadilha?
BIANCA AMARAL
Colunista
8/30/20254 min read


Por: Bianca Amaral
Diretora de E-Commerce e Marketplace no PicPay, com mais de 12 anos de experiência em estratégias digitais. Liderou transformações em Amazon, Walmart e Carrefour, focando em crescimento escalável, digitalização da indústria e omnichannel. Consultora especializada em inovação e inteligência de mercado, ajuda empresas a expandirem no ambiente online. Formada em Comunicação Social, é referência em varejo digital e transformação digital.
O modelo Direct-to-Consumer (D2C) é aquele em que a indústria ou a marca vende diretamente ao consumidor final, eliminando intermediários como distribuidores, atacadistas e grandes redes varejistas. Na prática, significa assumir a operação de e-commerce, marketing, logística e relacionamento com o cliente. Essa estrutura permite que a marca tenha controle total sobre a jornada de consumo, desde a primeira interação até a recompra.
Não por acaso, o modelo vem ganhando força em escala global. O mercado de D2C, avaliado em US$ 142,1 bilhões em 2022, deve chegar a quase US$ 600 bilhões até 2032, crescendo a uma taxa anual de 15,4 %. No varejo digital, estima-se que represente 14,9 % das vendas de e-commerce até 2025.
O apelo é evidente: maior margem, dados proprietários e proximidade com o consumidor. Porém, junto com a oportunidade, surgem armadilhas que podem comprometer a sustentabilidade do canal.
Por que tantas marcas optam por trabalhar com o canal direto?
As motivações estratégicas são consistentes:
Captura de margem e controle de marca – Sem intermediários, as marcas ficam menos expostas a pressões de preço e garantem consistência na experiência. Nike e Levi’s, por exemplo, reposicionaram seus canais e fortaleceram o modelo direto para melhorar lucratividade e brand equity.
Dados proprietários como ativo estratégico – O D2C permite acesso direto ao comportamento de compra, frequência de uso, engajamento e feedback, transformando dados em vantagem competitiva.
Agilidade na inovação – Lançar novos produtos, testar formatos de assinatura ou validar promoções de forma rápida torna o canal direto um verdadeiro laboratório estratégico.
Construção de comunidade e narrativa própria – O modelo dá espaço para storytelling e engajamento contínuo em canais proprietários, reduzindo a dependência de terceiros para gerar lealdade.
As armadilhas mais comuns do D2C
Apesar do potencial, muitas operações caem em erros que transformam oportunidade em frustração:
Conflito de canal
O D2C pode tensionar relações com distribuidores e varejistas. Sem uma política clara de preços e exclusividades, há risco de atrito comercial e perda de parceiros estratégicos.
Subestimar a Operação
Muitos tratam o D2C como “abrir uma loja online”. O resultado é experiência ruim: sites lentos, SEO ineficiente, logística precária e atendimento frágil. O consumidor, mais exigente nesse canal, rapidamente migra para outra marca.
Ignorar CRM e retenção
A maioria concentra esforços em aquisição e esquece de construir relacionamento e fidelidade. Sem estratégias de retenção, o CAC dispara e compromete a margem.
Escalar sem fundação sólida
Crescer rápido sem métricas claras (CAC, LTV, AOV) e sem governança gera operações frágeis, que desmoronam diante da primeira oscilação de mercado.
Dependência excessiva de um único canal de mídia ou plataforma
Marcas muito dependentes de anúncios em redes sociais ou de uma única tecnologia ficam vulneráveis a mudanças de algoritmo, custos de mídia e regras de terceiros.
O papel do D2C na estratégia da marca
Mais do que abrir um novo canal de vendas, o D2C deve ser pensado como um componente dentro da estratégia global de canais da marca.
Sem essa clareza, o risco é tratar o D2C como um concorrente interno dos distribuidores e varejistas — alimentando conflito de canal, pressão de margem e fragilidade no relacionamento com parceiros.
Quando o papel do D2C está bem definido, ele pode assumir funções estratégicas específicas, como:
Laboratório de inovação – testar produtos, embalagens e campanhas antes de escalar para o varejo ou marketplaces.
Canal de dados proprietários – consolidar informações de consumo que retroalimentam toda a estratégia comercial.
Plataforma de engajamento – construir comunidade, storytelling e fidelização que beneficiam inclusive outros canais.
Canal premium – oferecer linhas exclusivas, serviços diferenciados ou experiências de compra que reforçam o valor da marca.
Em outras palavras, o D2C não deve ser visto como um fim em si mesmo, mas como uma peça estratégica na engrenagem multicanal.
O que diferencia quem escala de quem fica no piloto automático
As marcas que transformam o D2C em vantagem competitiva não tratam o canal como uma vitrine digital. Elas constroem uma operação integrada e disciplinada. Os principais fatores de sucesso são:
Fundação estratégica sólida – Identidade de marca clara, propósito consistente e acompanhamento disciplinado de métricas como CAC, LTV e ROAS.
Infraestrutura integrada – E-commerce, CRM, logística, atendimento e marketing conectados em um ecossistema tecnológico coeso.
Uso inteligente de dados – Personalização em escala, suportada por analytics avançado, IA e machine learning.
Experimentação rápida – O D2C funciona como laboratório de inovação, antes que o produto ou campanha seja ampliado para outros canais.
Retenção como motor de crescimento – Programas de assinatura, recompra recorrente e comunicação personalizada sustentam a margem no longo prazo.
Cultura ágil e adaptativa – Estruturas capazes de ajustar preços, mix de produtos e comunicação em tempo real.
Conclusão: oportunidade exige maturidade
O D2C é, sem dúvida, uma das fronteiras mais poderosas do crescimento digital. Ele oferece controle, dados e proximidade com o cliente — ativos de altíssimo valor em mercados cada vez mais competitivos.
Mas tratá-lo como um atalho para margens maiores é um erro. O canal direto exige investimento em operação, disciplina em governança e clareza estratégica sobre como se relacionar com o restante da cadeia.
As marcas que prosperam nesse modelo entendem que crescer não é apenas vender mais em um novo canal, mas integrar o D2C de forma coerente à estratégia global de canais. Assim, transformam o direto ao consumidor em um acelerador de competitividade — e não em uma armadilha de curto prazo.
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