E-commerce avança em Minas Gerais e coloca empresas diante de uma nova etapa de profissionalização

GESTÃO

Redação

8/21/20268 min read

Comércio eletrônico mineiro já movimenta dezenas de bilhões de reais, presença digital cresce entre empresas e vendas online deixam de ser apenas um canal adicional para se tornar parte da estratégia dos negócios

O e-commerce em Minas Gerais entrou em uma nova fase.

Durante os últimos anos, milhares de empresas mineiras criaram perfis nas redes sociais, começaram a atender pelo WhatsApp, entraram em marketplaces e estruturaram suas primeiras lojas virtuais.

Agora, o desafio começa a mudar.

Os dados mostram que o comércio eletrônico deixou de ser apenas uma alternativa de vendas e passou a ocupar uma posição cada vez mais estratégica para o varejo do estado. O mercado potencial das empresas mineiras já não termina na própria cidade — e, em muitos casos, nem nas fronteiras de Minas Gerais.

Segundo análise divulgada pela Fecomércio MG, o e-commerce mineiro movimentou R$ 55,4 bilhões, considerando transações de comércio eletrônico registradas por Nota Fiscal Eletrônica referentes a 2024. Desse total, R$ 28,7 bilhões foram vendas destinadas a outros estados, enquanto R$ 26,7 bilhões corresponderam a compras, deixando Minas Gerais com saldo positivo de R$ 1,94 bilhão.

O cenário revela uma oportunidade importante, mas também aumenta a exigência sobre quem pretende crescer no ambiente digital.

A discussão já não é simplesmente sobre estar na internet. É sobre como vender melhor nela.

Mais de três quartos das empresas pesquisadas já possuem presença digital

A transformação fica ainda mais evidente quando observamos o comportamento dos próprios comerciantes.

Pesquisa da Fecomércio MG realizada com 406 empresas mineiras mostrou que 76,6% dos estabelecimentos pesquisados possuíam presença online em julho de 2025.

Dois anos antes, em 2023, eram 57,1%. Em 2024, o índice havia chegado a 64,3%. Em apenas dois anos, portanto, a presença digital aumentou quase 20 pontos percentuais. Mas o dado mais relevante aparece quando a presença vira efetivamente venda.

Entre as empresas que estavam online, 59,5% afirmaram vender pela internet, segundo a mesma pesquisa.

Isso mostra que o digital deixou de funcionar apenas como vitrine institucional para uma parcela expressiva do comércio mineiro. Ele já faz parte da estratégia comercial.

WhatsApp se tornou uma verdadeira ferramenta de vendas

Se existe um canal que simboliza a transformação digital do pequeno e médio varejo mineiro, provavelmente é o WhatsApp.

A pesquisa da Fecomércio MG mostrou que 75,1% das empresas com presença online utilizavam o WhatsApp Business para marcar presença digital e vender.

Além disso, 61,5% dos negócios pesquisados que utilizavam o aplicativo fechavam a venda diretamente pelo WhatsApp e recebiam o pagamento por outro meio.

Para 34,3%, o catálogo da plataforma já era utilizado para apresentar produtos e preços. O comportamento revela uma particularidade importante da digitalização brasileira.

Nem toda transformação passa inicialmente por grandes projetos de tecnologia. Muitas empresas começam pelo canal mais próximo do consumidor.

O cliente envia uma mensagem.
Pergunta preço.
Solicita foto.
Confirma disponibilidade.
Negocia.
Paga.
Retira ou recebe.

A jornada digital acontece mesmo quando não existe uma loja virtual sofisticada por trás dela.

Instagram também virou canal comercial

As redes sociais ocupam outra posição central nesse processo.

Entre as empresas mineiras pesquisadas que possuíam presença online, 99,3% estavam no Instagram, e 96,5% das empresas presentes na plataforma afirmaram realizar vendas por meio dela.

No total, 61,1% dos estabelecimentos pesquisados comercializavam produtos pelas redes sociais.

Outro dado chama atenção: 72,8% permitiam que o consumidor retirasse na loja física produtos comprados online.

Esse comportamento mostra como a divisão entre varejo físico e e-commerce está desaparecendo. Para o consumidor, a jornada é uma só. Ele pode descobrir o produto no Instagram, conversar no WhatsApp, pagar digitalmente e retirar fisicamente.

É omnicanalidade acontecendo muitas vezes sem que a própria empresa utilize esse termo.

O desafio agora é transformar digitalização em estrutura

Entrar no digital ficou significativamente mais fácil.

Plataformas prontas reduziram o custo de criação de lojas virtuais. Marketplaces oferecem audiência. Redes sociais aproximaram marcas e consumidores. Pix simplificou pagamentos. Operadores logísticos ganharam capilaridade. Mas crescer de maneira sustentável continua sendo difícil.

O material preparado sobre o mercado mineiro destaca justamente alguns dos principais obstáculos enfrentados pelas empresas: planejamento, mão de obra especializada, logística, concorrência e estruturação dos canais digitais. Esse ponto é fundamental.

Uma empresa pode começar vendendo dez pedidos por dia pelo WhatsApp.

Quando passa para cem, os processos mudam.
Quando chega a mil, mudam novamente.
Estoque precisa estar sincronizado.
Pedidos precisam ser processados.
Produtos precisam ter margem.
Clientes precisam ser atendidos.
Pagamentos precisam ser conciliados.
Entregas precisam ser rastreadas.
Trocas precisam funcionar.

O crescimento transforma improvisação em gargalo.

Marketplace representa oportunidade ainda pouco explorada

Embora redes sociais e aplicativos sejam muito utilizados, os marketplaces ainda aparecem com participação relativamente pequena entre parte dos negócios pesquisados.

Na pesquisa de 2025 repercutida por veículos mineiros, apenas 12,4% das empresas pesquisadas utilizavam marketplaces como recurso de venda, enquanto 21,1% possuíam site próprio. Entre as empresas com site, 74,4% afirmavam realizar vendas diretamente por ele. O dado indica espaço para evolução.

Marketplaces podem oferecer acesso imediato a grandes audiências, infraestrutura de pagamento, logística e ferramentas publicitárias.

Mas também exigem profissionalização.
Preço.
Reputação.
SLA.
Cadastro.
Estoque.
Publicidade interna.
Logística.
Margem.

Quem entra sem compreender essa dinâmica pode aumentar faturamento e, ao mesmo tempo, diminuir rentabilidade.

A geografia favorece Minas Gerais

Existe ainda uma vantagem estratégica que vai além do comportamento digital. A própria localização de Minas Gerais contribui para o crescimento do comércio eletrônico.

A Fecomércio MG destaca que o Sul de Minas possui ligação direta com o principal mercado consumidor brasileiro por meio da BR-381, enquanto o Triângulo Mineiro funciona como conexão entre Sudeste e Centro-Oeste. Norte de Minas e Vales, por sua vez, ampliam a integração com o Nordeste.

Essa configuração logística cria oportunidades importantes para indústrias, distribuidores e varejistas. No comércio tradicional, localização definia boa parte do mercado de uma empresa.

No e-commerce, localização passa a definir principalmente a eficiência com que essa empresa consegue acessar outros mercados. Essa mudança é especialmente relevante para cidades industriais e polos regionais mineiros.

O produto mineiro pode vender para o Brasil inteiro

Outro aspecto interessante aparece no perfil das mercadorias comercializadas.

Segundo a Fecomércio MG, enquanto eletrônicos, máquinas e vestuário possuem forte participação no comércio eletrônico nacional, Minas apresenta destaque também em calçados, equipamentos e produtos industriais. Isso amplia a discussão para além do varejo tradicional.

O e-commerce representa uma oportunidade também para indústrias que historicamente dependeram de representantes, distribuidores ou redes físicas. Uma empresa pode continuar utilizando esses canais e, simultaneamente, desenvolver estratégias digitais.

Pode vender diretamente.
Pode trabalhar marketplaces.
Pode gerar leads.
Pode fortalecer sua marca.
Pode atender regiões antes economicamente inviáveis.
Digitalização não significa necessariamente eliminar canais tradicionais.

Significa ampliar a capacidade de distribuição.

Pequenas empresas também conseguem competir

Uma das maiores transformações provocadas pelo e-commerce foi reduzir algumas das barreiras históricas de distribuição.

Uma pequena marca não precisa abrir dezenas de lojas para alcançar consumidores em diferentes estados.

Ela pode começar com marketplace, rede social, site próprio e logística terceirizada.

Isso não elimina as vantagens das grandes empresas. Mas permite que negócios menores encontrem nichos, construam comunidades e alcancem clientes muito além de seu mercado local.

Em ações promocionais recentes, pequenos negócios mineiros também mostraram crescimento relevante no comércio digital. Dados divulgados sobre a Semana do Cliente apontaram expansão de 42% nas vendas pelo e-commerce, com quase 50 mil pedidos e tíquete médio de R$ 275,90 dentro da base analisada.

O comportamento reforça que o movimento não está restrito às grandes redes.

O consumidor também está exigindo mais

Quanto mais o e-commerce amadurece, mais difícil fica competir apenas oferecendo um produto online.

O consumidor compara.
Pesquisa avaliações.
Analisa preço.
Observa prazo.
Pergunta pelo WhatsApp.
Procura no marketplace.
Consulta redes sociais.
Avalia reputação.
E pode mudar de loja em poucos segundos.

Por isso, diferenciação passa a envolver toda a experiência.

Boa descrição.
Fotografia.
Preço.
Frete.
Atendimento.
Confiança.
Pós-venda.
Entrega.
Facilidade de pagamento.

Esse conjunto determina cada vez mais quem transforma presença digital em crescimento.

Inteligência artificial começa a entrar nessa equação

A próxima etapa da profissionalização inclui também inteligência artificial e automação.

Pequenas e médias empresas já conseguem utilizar ferramentas que há poucos anos exigiriam estruturas tecnológicas complexas.

IA pode ajudar na produção de conteúdo, atendimento, organização de informações, análise de dados, criação de campanhas e produtividade das equipes.

Mas o impacto mais relevante deverá acontecer quando essas ferramentas começarem a se conectar aos sistemas do negócio.

CRM.
ERP.
Estoque.
E-commerce.
Marketing.
Atendimento.

Quando esses dados passam a trabalhar em conjunto, tecnologia deixa de ser apenas produtividade e começa a se transformar em inteligência operacional.

O próprio material sobre o cenário mineiro aponta marketplaces, IA, automação, meios de pagamento, logística e integração entre lojas físicas e canais online entre as oportunidades que se abrem para os próximos ciclos.

Digitalização exige pessoas preparadas

Existe, porém, um gargalo que tecnologia sozinha não resolve.

Mão de obra especializada já aparece há anos entre as principais dificuldades relatadas pelas empresas mineiras que atuam no comércio eletrônico.

Gerenciar e-commerce exige competências que atravessam diferentes áreas.

Marketing digital.
Gestão de marketplace.
Mídia.
CRM.
Fotografia.
Tecnologia.
Logística.
Dados.
Atendimento.
Gestão financeira.

Em muitas empresas, essas responsabilidades ainda ficam concentradas em uma única pessoa.
Conforme o negócio cresce, essa estrutura se torna difícil de sustentar.

Profissionalizar o e-commerce também significa profissionalizar as equipes.

A próxima fase será menos sobre “ter e-commerce” e mais sobre gestão

Os dados da Fecomércio MG revelam algo importante. A primeira grande onda de transformação já aconteceu. Grande parte das empresas pesquisadas está presente digitalmente. Boa parte já vende pela internet. WhatsApp e Instagram entraram definitivamente na rotina comercial. A próxima onda será diferente. Ela será marcada pela busca por eficiência. Não bastará simplesmente vender online.

Será necessário saber quanto custa vender, quanto sobra da venda, quais canais são mais rentáveis, quais clientes voltam a comprar e onde existe oportunidade de crescimento.

O e-commerce começa a entrar na mesma lógica de gestão de qualquer negócio maduro.

Belo Horizonte recebe encontro dedicado a esse novo momento

É justamente dentro desse cenário que Belo Horizonte recebe, no dia 25 de agosto de 2026, a ExpoEcomm BH, no Minascentro.

O evento reunirá empresários, gestores, profissionais e empresas do ecossistema digital em uma programação dedicada aos desafios atuais de quem vende online.

Entre os temas previstos estão marketplaces, inteligência artificial, marketing, logística, tecnologia, gestão, vendas e transformação digital.

Além dos conteúdos, haverá uma área de negócios reunindo empresas de plataformas, marketplaces, logística, agências e tecnologias para operações digitais.

A escolha de Belo Horizonte acompanha justamente a relevância que Minas Gerais vem conquistando no comércio eletrônico nacional.

Minas já mostrou que possui mercado. Agora precisa transformar mercado em competitividade

O e-commerce mineiro movimentou dezenas de bilhões de reais.

Mais de três quartos das empresas pesquisadas já estão online.

Quase 60% das empresas com presença digital pesquisadas já vendem pela internet.

WhatsApp e Instagram tornaram-se verdadeiros canais comerciais.

A infraestrutura logística coloca o estado em posição privilegiada para alcançar diferentes regiões brasileiras.

Os sinais apontam para um mercado que já ultrapassou a etapa de experimentação.

Para as empresas, a principal oportunidade agora está em transformar essa presença em escala, eficiência e rentabilidade.

O próximo ciclo do e-commerce em Minas Gerais provavelmente não será definido apenas por quantas empresas começarão a vender pela internet.

Será definido por quantas conseguirão transformar o digital em uma operação profissional, integrada e capaz de crescer para além das fronteiras do próprio estado.

Nesse cenário, tecnologia será importante. Logística será importante. Marketing será importante. Mas a capacidade de integrar tudo isso em uma estratégia de negócio será o verdadeiro diferencial competitivo.

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