Greve dos Correios começa em todo o país e acende alerta para quem vende pela internet
LOGÍSTICA
Redação
9/12/20268 min read


Paralisação por tempo indeterminado começou nesta sexta-feira, 11 de setembro, após trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada nas negociações do acordo coletivo. Para lojas virtuais e sellers, o momento exige acompanhamento dos prazos, comunicação transparente com clientes e atenção redobrada às operações que ainda dependem dos Correios.
A logística do e-commerce brasileiro ganhou um novo ponto de atenção nesta sexta-feira, 11 de setembro.
Trabalhadores dos Correios aprovaram uma greve por tempo indeterminado, após assembleias realizadas na quinta-feira, 10. O movimento ocorre em meio às negociações da Campanha Salarial 2026 e do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027, que passaram por tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho.
Segundo informações divulgadas pelo g1 e confirmadas por sindicatos da categoria, a paralisação foi aprovada depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela estatal. A mobilização envolve sindicatos de diferentes regiões do país. A FENTECT vinha alertando desde o início de setembro para a possibilidade de greve caso não houvesse avanço nas negociações.
Para o comércio eletrônico, a principal questão agora é prática: qual será o impacto da greve dos Correios sobre coleta, processamento e entrega de encomendas?
Ainda é cedo para medir a dimensão real da paralisação. A adesão pode variar entre estados, cidades e unidades operacionais. Por isso, lojistas não devem assumir automaticamente que todas as entregas serão interrompidas, mas também não podem trabalhar como se a operação permanecesse normal.
Por que os trabalhadores dos Correios entraram em greve?
O movimento está relacionado às negociações do novo acordo coletivo.
Entre as reivindicações apresentadas pelas entidades sindicais estão recomposição salarial diante da inflação, preservação de benefícios, questões relacionadas à assistência à saúde, condições de trabalho e participação dos funcionários nas discussões sobre a reestruturação da empresa.
A FENTECT já havia anunciado mobilizações e assembleias para 10 de setembro. Em diferentes estados, os trabalhadores votaram sobre a proposta apresentada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos durante a mediação realizada no TST.
Na Paraíba, por exemplo, o SINTECT-PB confirmou a deflagração da greve a partir da meia-noite desta sexta-feira. O movimento nacional reúne 36 sindicatos e duas federações, segundo informações divulgadas pelo sindicato local.
Em Minas Gerais, trabalhadores também aprovaram a paralisação. Outros sindicatos estaduais realizaram assembleias seguindo o calendário nacional da categoria.
A situação ainda pode mudar rapidamente conforme avançarem as negociações entre empresa, trabalhadores e TST.
Greve acontece em um momento delicado para os Correios
A paralisação ocorre enquanto os Correios atravessam uma das maiores crises financeiras de sua história recente.
A estatal encerrou 2025 com prejuízo líquido de aproximadamente R$ 8,5 bilhões, segundo demonstrações contábeis da própria companhia analisadas pelo Tribunal de Contas da União. A receita bruta naquele ano foi de R$ 17,3 bilhões, queda de 11% em relação ao período anterior, segundo dados apresentados pelos Correios e repercutidos pela CNN Brasil.
Em 2026, a situação continuou desafiadora.
Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões somente no segundo trimestre, embora o resultado tenha sido 24,4% melhor do que o prejuízo de R$ 3,16 bilhões registrado nos três primeiros meses do ano.
A receita líquida também apresentou melhora entre os dois períodos, passando de R$ 3,86 bilhões no primeiro trimestre para R$ 4,01 bilhões no segundo, alta de 3,8%, segundo dados oficiais dos Correios.
A companhia executa atualmente um plano de reestruturação que envolve revisão de despesas e contratos, reorganização operacional, recuperação de receitas e mudanças no modelo de negócios.
O TCU, entretanto, apontou em junho fragilidades nas premissas econômico-financeiras e nos mecanismos utilizados para acompanhar a execução desse plano.
A greve adiciona, portanto, uma nova variável a um processo de recuperação que já era complexo.
O e-commerce brasileiro ainda depende dos Correios, principalmente fora dos grandes centros
O mercado logístico brasileiro mudou profundamente nos últimos anos.
Mercado Livre, Shopee, Amazon, Magalu e grandes varejistas desenvolveram redes próprias ou contratadas de fulfillment, hubs, cross-docking e última milha. Transportadoras privadas também ampliaram sua presença impulsionadas pelo crescimento do comércio eletrônico.
Mesmo assim, os Correios continuam tendo uma característica difícil de reproduzir: capilaridade nacional.
Dados oficiais da empresa mostram que, em julho de 2026, os Correios mantinham 8.142 posições físicas de atendimento, equivalentes a 99,15% da meta anual estabelecida pela companhia. A distribuição postal externa alcançava 9.132 localidades consideradas pelo indicador de universalização.
É justamente essa presença que torna os Correios relevantes para pequenos e médios e-commerces.
Em regiões metropolitanas, substituir uma transportadora pode ser relativamente simples.
Em municípios menores, áreas remotas e determinadas rotas de baixa densidade, encontrar uma alternativa com cobertura, prazo e preço semelhantes pode ser muito mais difícil.
Por isso, o impacto da greve tende a ser diferente para cada operação.
Uma loja que utiliza múltiplas transportadoras pode absorver melhor eventuais atrasos.
Um pequeno seller que concentra quase todas as postagens em PAC e Sedex pode ficar significativamente mais exposto.
Qual pode ser o impacto da greve nas encomendas?
Neste primeiro momento, o principal risco não é necessariamente uma interrupção completa das entregas.
É a perda de previsibilidade.
Se a adesão à greve reduzir a capacidade de determinadas unidades, encomendas podem continuar entrando na rede enquanto parte do processamento acontece em ritmo menor.
Isso pode gerar acúmulo de objetos e aumentar o tempo necessário para normalizar a operação posteriormente.
Existe um precedente recente.
Na paralisação parcial encerrada no fim de dezembro de 2025, os próprios Correios informaram, após decisão do TST, que suas equipes trabalhariam para normalizar os fluxos e reduzir impactos acumulados durante o período.
Para o e-commerce, esse detalhe é importante.
O efeito de uma greve logística não necessariamente termina no mesmo dia em que os trabalhadores retornam. Dependendo da duração e adesão, pode existir uma fila operacional de objetos aguardando triagem, transferência ou distribuição.
Sellers precisam acompanhar os pedidos que já estão em trânsito
A primeira providência para quem utiliza os Correios é identificar sua exposição.
Pedidos já coletados ou postados merecem acompanhamento individual, principalmente aqueles próximos do limite do prazo prometido ao consumidor.
Também é importante separar três situações diferentes: pedidos já em trânsito, pedidos vendidos e ainda não despachados e novas compras realizadas durante a paralisação.
Cada grupo exige uma decisão diferente.
Pedidos em trânsito dependem do comportamento da rede dos Correios.
Pedidos ainda não postados podem, em determinados casos, ser redirecionados para outras transportadoras.
Já as novas vendas permitem que a empresa ajuste previamente o prazo ou método de envio disponível.
Quanto antes essa análise for realizada, menor o risco de transformar um problema logístico em um problema de atendimento.
Não espere o consumidor reclamar para falar sobre atraso
Existe outro aspecto especialmente importante para lojas virtuais: comunicação.
Quando uma entrega atrasa, o consumidor normalmente não separa marketplace, vendedor e transportadora.
Ele comprou de uma marca.
Por isso, dizer simplesmente que “a culpa é dos Correios” dificilmente produz uma boa experiência.
Se houver evidência de impacto sobre determinado pedido, a empresa pode comunicar o cliente preventivamente, explicar a situação de maneira objetiva e apresentar o novo cenário de entrega.
Essa postura reduz ansiedade e também o volume de contatos recebidos pelo atendimento.
O consumidor tende a lidar melhor com um atraso conhecido do que com uma entrega que simplesmente desaparece do radar.
Para marketplaces, o cuidado precisa ser ainda maior. Sellers devem acompanhar eventuais mudanças de prazo, métricas logísticas e políticas temporárias adotadas pelas plataformas.
Diversificar transportadoras deixa de ser apenas negociação de frete
A greve dos Correios reforça uma discussão que já vinha crescendo no e-commerce: redundância logística.
Trabalhar com mais de uma transportadora costuma ser associado à possibilidade de encontrar melhores preços. Mas existe outro benefício. Resiliência.
Uma operação que possui Correios, transportadora privada, pontos de postagem e soluções regionais integradas consegue redirecionar parte dos pedidos quando algum parceiro enfrenta problemas.
Isso não significa abandonar os Correios.
A enorme cobertura da estatal continua sendo estratégica para milhares de empresas.
A questão é evitar que um único operador represente 100% da capacidade de entrega quando existem alternativas economicamente viáveis.
A lógica é semelhante à infraestrutura de tecnologia. Empresas dificilmente querem depender de um único sistema crítico sem qualquer plano de contingência.
Na logística, o raciocínio começa a ser o mesmo.
Crise dos Correios também revela transformação estrutural da logística brasileira
Existe um contexto maior por trás da paralisação.
Os Correios não enfrentam apenas dificuldades financeiras. A companhia também precisa competir em um mercado de encomendas muito diferente daquele existente há uma década.
Um dos exemplos mais claros está nas encomendas internacionais.
Segundo levantamento do TCU, os Correios possuíam 99% de participação nesse mercado até dezembro de 2023. Após mudanças regulatórias e aumento da concorrência privada, a participação caiu para 93% em agosto de 2024, 66% em dezembro daquele ano, 52% em janeiro de 2025 e apenas 31% em junho de 2025.
Ao mesmo tempo, grandes plataformas passaram a controlar uma parcela crescente da própria logística.
Fulfillment, centros de distribuição, hubs urbanos, pontos de coleta, lockers e redes de última milha estão transformando entrega em vantagem competitiva.
Para os Correios, isso cria um desafio duplo.
A empresa precisa preservar sua função de cobertura nacional enquanto disputa encomendas em um mercado cada vez mais competitivo.
O que o e-commerce deve fazer agora
Para quem vende online, o momento pede cautela, mas não pânico. A extensão real dos impactos dependerá da adesão à greve e de sua duração.
A prioridade deve ser acompanhar diariamente os pedidos em trânsito, identificar regiões mais afetadas, revisar temporariamente promessas de entrega quando necessário, manter alternativas logísticas disponíveis e comunicar rapidamente consumidores que possam sofrer atrasos.
Também vale evitar decisões generalizadas.
Se uma determinada região continua operando normalmente, não existe motivo para retirar automaticamente os Correios de todas as entregas. Da mesma forma, manter prazos agressivos em regiões onde já surgirem gargalos pode aumentar cancelamentos, reclamações e custos de atendimento.
A gestão precisa ser feita com dados.
A greve dos Correios transforma previsibilidade logística em prioridade
Para o comércio eletrônico, a greve iniciada nesta sexta-feira não é apenas uma questão trabalhista.
Ela expõe novamente como logística, experiência do cliente e reputação estão conectadas.
Uma venda só termina quando o produto chega.
Por isso, operações que possuem visibilidade sobre seus pedidos, alternativas de transporte e comunicação estruturada com o consumidor tendem a atravessar períodos de instabilidade com menos impacto.
Os Correios continuam sendo uma peça importante da infraestrutura logística brasileira, principalmente pela capacidade de chegar a milhares de localidades.
Mas a paralisação também deixa uma lição para sellers de qualquer tamanho: eficiência logística é importante nos dias normais; resiliência logística é o que protege a operação quando algo sai do previsto.
Nas próximas horas e dias, a principal variável será a duração e o nível de adesão à greve. É isso que determinará se o impacto sobre o e-commerce será pontual ou se exigirá mudanças mais amplas nas estratégias de entrega.
Fontes consultadas: g1, Correios, FENTECT, sindicatos regionais dos trabalhadores dos Correios, Tribunal de Contas da União e CNN Brasil.
Posso monitorar a greve e avisá-lo se houver fim da paralisação, decisão do TST ou comunicado dos Correios sobre impacto nas entregas.
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