Inteligência artificial já está mudando o mercado de trabalho e o impacto no e-commerce pode ser ainda maior

TECNOLOGIAS

Redação

3/25/20264 min read

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Novo estudo revela como a IA está transformando funções, produtividade e o perfil das profissões digitais

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e passou a atuar diretamente na transformação do mercado de trabalho. Um estudo recente da Anthropic, empresa de pesquisa em IA responsável pelo modelo Claude, analisou milhões de interações com sistemas de inteligência artificial para entender como essas ferramentas estão sendo utilizadas no ambiente profissional e quais atividades já estão sendo impactadas.

Os resultados apontam para uma mudança estrutural: a IA está sendo usada principalmente para complementar tarefas humanas, mas já começa a substituir atividades específicas em diversos setores. Para profissionais do comércio digital, marketing e tecnologia — áreas centrais do ecossistema de e-commerce — essa transformação pode ser ainda mais profunda.


A inteligência artificial já participa de uma parcela significativa das tarefas profissionais

De acordo com o estudo “Labor Market Impacts of AI” da Anthropic, cerca de 36% das ocupações analisadas utilizam inteligência artificial para pelo menos um quarto de suas tarefas.
Isso significa que a IA já está presente em uma parte relevante das atividades diárias de diversas profissões.
O estudo também revela que, na maior parte dos casos, a IA não substitui completamente o trabalho humano. Em vez disso, ela atua como ferramenta de apoio para aumentar produtividade, automatizar etapas repetitivas e acelerar processos de tomada de decisão.
Segundo a análise da Anthropic, aproximadamente 57% dos usos identificados são de “aumento de capacidade humana”, enquanto 43% correspondem a automação direta de tarefas.


Profissões digitais estão entre as mais impactadas

O levantamento mostra que as áreas mais impactadas pela inteligência artificial são aquelas que envolvem trabalho intelectual, análise de dados, produção de conteúdo e programação.
Entre as funções com maior adoção de IA estão:
- desenvolvimento de software
- análise de dados
- marketing digital
- atendimento ao cliente
- produção de conteúdo
- gestão de produtos digitais

Essas áreas possuem uma característica em comum: grande parte das atividades envolve processamento de informação, escrita, planejamento ou análise, tarefas que modelos de IA conseguem apoiar com eficiência.
Isso explica por que setores ligados ao comércio eletrônico — como marketing de performance, gestão de marketplaces, atendimento omnichannel e análise de métricas — estão entre os que mais rapidamente incorporam inteligência artificial.


A nova dinâmica entre humanos e máquinas

Outro ponto importante do estudo é que o impacto da IA não acontece de forma uniforme entre as profissões. Segundo a Anthropic, empregos com salários médios — normalmente ligados a atividades cognitivas e administrativas — tendem a ser os mais influenciados pela automação baseada em IA.
Já profissões com forte componente manual ou presencial ainda apresentam menor impacto direto.
Essa dinâmica reforça uma tendência já apontada por outros estudos globais. O relatório Future of Jobs 2023, do World Economic Forum, estima que 44% das habilidades necessárias para os empregos atuais deverão mudar até 2027 em função da adoção de novas tecnologias, incluindo inteligência artificial.


O que isso significa para o e-commerce

No ecossistema do e-commerce, o impacto da inteligência artificial já pode ser observado em diversas áreas. Entre as aplicações mais comuns estão:

- Atendimento automatizado
Chatbots e assistentes virtuais já conseguem resolver grande parte das demandas de clientes sem intervenção humana.

- Produção de conteúdo e marketing
Ferramentas de IA ajudam a gerar descrições de produtos, textos publicitários e campanhas de mídia com maior velocidade.

- Análise de dados e previsão de demanda
Algoritmos são capazes de identificar padrões de consumo e antecipar tendências de compra.


- Gestão de anúncios e campanhas
Plataformas de mídia já utilizam inteligência artificial para otimizar lances, segmentação e criativos.

Segundo a consultoria McKinsey, a inteligência artificial generativa pode adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano à economia global, sendo marketing, vendas e atendimento ao cliente algumas das áreas com maior potencial de ganho de produtividade.


A transformação do perfil profissional no comércio digital


Se por um lado a inteligência artificial automatiza tarefas, por outro ela cria novas demandas por habilidades.
Profissionais do comércio eletrônico precisarão cada vez mais desenvolver competências como:
- análise estratégica de dados
- pensamento crítico
- interpretação de insights gerados por IA
- gestão de ferramentas digitais
- criação de estratégias orientadas por tecnologia

Em outras palavras, o valor do profissional não estará apenas na execução operacional, mas na capacidade de interpretar, decidir e criar estratégias a partir da informação disponível.


A IA como vantagem competitiva para empresas digitais

Empresas que conseguem integrar inteligência artificial de forma estratégica tendem a obter ganhos significativos de produtividade.
No comércio eletrônico, isso pode se traduzir em:
- campanhas de marketing mais eficientes
- melhor experiência do cliente
- decisões baseadas em dados em tempo real
- operações mais enxutas e escaláveis

Por isso, a discussão sobre IA deixou de ser apenas tecnológica. Ela passou a fazer parte da estratégia de negócios.


Conclusão: o futuro do trabalho será híbrido

O estudo da Anthropic reforça uma visão que vem ganhando força globalmente: a inteligência artificial não está simplesmente substituindo trabalhadores — ela está redefinindo a forma como o trabalho é realizado.
No e-commerce, onde dados, tecnologia e velocidade são fatores críticos, essa transformação tende a acontecer de forma ainda mais acelerada.
Empresas que souberem combinar capacidade humana com inteligência artificial terão mais condições de inovar, escalar operações e competir em um mercado digital cada vez mais sofisticado.
O futuro do trabalho no comércio eletrônico, portanto, não será apenas humano ou apenas automatizado.
Ele será colaborativo entre pessoas e máquinas.


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