KD meu Oscar por ter nascido digital?
TECNOLOGIAS
Redação
4/4/20263 min read
1) Cultura organizacional: velocidade com rumo
O nativo digital aprende rápido, testa sem medo e muda de direção com facilidade. O risco é viver de “quem grita mais alto”, sem ritos nem regras do jogo. O objetivo não é burocratizar; é canalizar a energia. Institua dois ritos semanais imutáveis: segunda-feira para definir prioridades e sexta para capturar lições aprendidas. Para projetos, use um quadro simples de Responsável, Aprovador, Consultado e Informado (RACI) e escreva, em uma frase, o que significa “pronto” para cada entrega.
Comparativo útil: a empresa tradicional sofre de rigidez; a nativa, de ausência de baliza. O ponto ótimo é liberdade com responsabilidade.
2) Tecnologia: escala sem susto
Crescer em cima de serviços em nuvem e ferramentas de prateleira é ótimo — até a fatura chegar ou a loja cair no pico. Defina um teto de gasto com alertas por produto/campanha, padronize a regra 70/20/10 (70% soluções prontas, 20% automações leves, 10% código próprio) e tenha um plano de contingência: se o meio de pagamento A falhar, qual é o B? Se o transporte X atrasar, qual é o Y? Escalar é menos sobre potência e mais sobre previsibilidade.
3) Modelo de negócio: margens que contam a verdade
Pressão por monetizar rápido, descontos agressivos e “corrida de preço” corroem a base. Monte sua tabela de contribuição por produto e canal, incluindo frete, taxas, embalagem e devoluções; sem isso, o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) vira ficção. Defina um piso de contribuição e só entre em disputa nos marketplaces quando ele estiver preservado. Equilibre o portfólio com produtos “ímã” (trazem tráfego) e produtos “caixa” (pagam a conta), avaliando kits e assinaturas quando houver recompra. Estratégia aqui é sinônimo de o que eu faço para ganhar dinheiro, não só para vender.
4) Processos: qualidade que cabe no dia a dia
Empresas nativas digitais costumam depender de “pessoas-herói”. Troque isso por clareza. Documente o Manual Operacional em 1 Página (MOP) por área (pedido, troca, postagem, atendimento), organize o trabalho visualmente em um fluxo do tipo “A Fazer → Em Andamento → Feito” e defina Acordos de Nível de Serviço (SLA) com prazos realistas (por exemplo: separar pedido em até 24 horas; responder cliente em até 2 horas úteis). Quando todo mundo sabe como fazer, a criatividade passa a atuar onde importa.
5) Talentos: formar, reter e reconhecer
Ambientes competitivos seduzem seus melhores talentos. Adote o desenvolvimento em “T”: profundidade em uma habilidade central e base prática em duas complementares (por exemplo, tráfego pago + Análise de Dados + Experiência do Usuário). Crie uma trilha de aprendizagem quinzenal de 1 hora, com estudo guiado e apresentação interna. E conecte reconhecimento a margem, não só a faturamento: celebrar “crescer com contribuição” ensina o comportamento certo.
6) Orientação ao cliente: personalizar sem perder qualidade
O digital facilita prometer demais. Em vez disso, construa um FAQ dinâmico a partir das dúvidas reais, padronize respostas com histórico do cliente e rode, a cada trimestre, um Índice Líquido de Promotores (NPS) com uma amostra pequena por telefone (a pergunta é simples; os “porquês” valem ouro). Em campanhas, segmente por comportamento observado, não por palpite. Personalização boa é a que melhora experiência e unidade econômica.
7) Governança e liderança: energia com direção
Lideranças jovens costumam ter fôlego — mas podem dispersar foco. Adote uma rota trimestral 3×3 (três objetivos e três resultados mensuráveis para cada um) usando Objetivos e Resultados-Chave (OKR) sem burocracia. A cada quinze dias, faça um comitê de margem de 30 minutos para decidir o que para, o que corrige e o que acelera olhando a contribuição. E monte um mini-conselho com três mentores (operações, marketing e finanças) para uma hora por mês: visão externa barata que evita erros caros.
Transformação estratégica, não só “digital”
Como destaca David L. Rogers, transformar não é colecionar ferramentas, e sim redesenhar o negócio: entender clientes, a competição, usar dados para decidir, experimentar inovação com propósito e capturar valor de forma sustentável. Em linguagem direta: a tecnologia obedece à estratégia — e a margem confirma se a estratégia faz sentido.
Conclusão — suporte acadêmico para problemas reais
Você não precisa de tapete vermelho por ter nascido digital. Precisa de método, linguagem comum e decisão disciplinada. É aqui que a academia ajuda: transformar ideias em rotinas de gestão, medir o que importa e ligar cada experimento ao resultado econômico. Como professor, meu papel é dar estrutura a quem já tem energia — para que rapidez vire consistência, e inovação, margem sustentável.
Por Érico Souza, Professor convidado FGV - MBA de Gestão Empresarial - Disciplina de Transformação Digital. - https://www.linkedin.com/in/ericocsouza/
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