Magazord acelera expansão, investe R$ 50 milhões e mira R$ 10 bilhões em vendas online até 2030
GESTÃO
Redação
8/17/20268 min read


Plataforma catarinense que atende mais de 3 mil lojas abre nova unidade na Grande Florianópolis e projeta alcançar R$ 3 bilhões em GMV ainda em 2026. Estratégia combina tecnologia, contratação de talentos e aquisições em nichos estratégicos do e-commerce.
Enquanto boa parte das atenções do comércio eletrônico brasileiro está concentrada nos grandes marketplaces, uma disputa igualmente importante acontece nos bastidores: quem fornecerá a tecnologia utilizada por milhares de varejistas para vender online nos próximos anos?
A catarinense Magazord quer ocupar uma parcela maior desse mercado.
A plataforma de e-commerce, que atende mais de 3 mil lojas em todo o Brasil, iniciou uma nova fase de expansão com a abertura de sua primeira unidade fora de Rio do Sul (SC). O escritório está localizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, e faz parte de um plano que prevê mais de R$ 50 milhões em investimentos até 2030, segundo informações divulgadas pela Exame.
Os números mostram a velocidade dessa trajetória. As lojas conectadas ao ecossistema Magazord movimentaram R$ 2,5 bilhões em GMV em 2025. Para 2026, a projeção da companhia é chegar a R$ 3 bilhões e, até 2030, alcançar a marca de R$ 10 bilhões em vendas online processadas pela plataforma.
Mais do que o crescimento de uma empresa de tecnologia, o movimento ajuda a revelar uma tendência importante do e-commerce brasileiro: plataformas estão deixando de oferecer apenas uma loja virtual para se transformar em ecossistemas completos de operação.
De Rio do Sul para uma estratégia nacional
Fundada em 2010, em Rio do Sul, no interior de Santa Catarina, a Magazord construiu sua trajetória distante dos tradicionais polos tecnológicos de São Paulo.
A origem da empresa está diretamente ligada às dificuldades encontradas pelos próprios fundadores na operação de um e-commerce. Ao longo dos anos, a tecnologia desenvolvida para resolver problemas internos evoluiu para uma plataforma destinada a outros varejistas.
Hoje, a estrutura vai muito além da criação de lojas virtuais. O ecossistema reúne soluções relacionadas a ERP, pagamentos, logística, marketing, integração com marketplaces e crédito, segundo informações da própria companhia e da Exame.
A abertura da unidade em Palhoça representa agora um novo estágio dessa expansão.
O escritório terá capacidade para aproximadamente 80 profissionais e deverá chegar ao fim de 2026 com entre 40 e 50 posições ocupadas. A nova estrutura concentrará principalmente profissionais das áreas comercial, marketing, vendas, atendimento e operações.
A sede de Rio do Sul continuará concentrando boa parte das equipes de tecnologia e desenvolvimento.
A expansão esbarra em um problema conhecido do setor: talentos
A escolha da Grande Florianópolis não aconteceu apenas por questões geográficas.
Segundo a Magazord, diferentes regiões catarinenses foram avaliadas antes da decisão, incluindo Oeste, Planalto e Vale do Itajaí.
A Grande Florianópolis apresentou maior disponibilidade de profissionais para áreas como vendas, marketing e Customer Success, além de maior capacidade para atrair talentos de outras regiões do país.
O movimento evidencia um problema que acompanha o amadurecimento das empresas digitais brasileiras.
Depois de encontrar mercado, tecnologia e clientes, muitas companhias passam a enfrentar outro gargalo: encontrar pessoas capazes de sustentar a próxima fase de crescimento.
A previsão é que a Magazord encerre 2026 com aproximadamente 350 funcionários, sendo mais de 100 ligados à estrutura comercial.
De R$ 2,5 bilhões para R$ 3 bilhões em apenas um ano
O crescimento do GMV é um dos indicadores que melhor ajudam a dimensionar a expansão.
Em 2025, os negócios conectados à plataforma movimentaram R$ 2,5 bilhões em vendas. A meta de R$ 3 bilhões para 2026 representa um avanço projetado de aproximadamente 20% em apenas um ano.
Mas é importante fazer uma distinção.
Esse valor não representa o faturamento da Magazord. Trata-se de GMV (Gross Merchandise Volume), ou seja, o volume bruto de vendas realizadas pelas lojas que utilizam seu ecossistema.
A meta de longo prazo é ainda mais ambiciosa: R$ 10 bilhões em GMV até 2030.
Caso consiga atingir o objetivo, a companhia terá quadruplicado em cinco anos o volume movimentado por seu ecossistema em relação aos R$ 2,5 bilhões registrados em 2025.
Crescimento não será apenas orgânico
Contratar mais pessoas e conquistar novos clientes representam apenas uma parte da estratégia.
A Magazord também está utilizando fusões e aquisições para acelerar sua presença em segmentos específicos.
Nos últimos anos, a empresa incorporou negócios especializados em diferentes verticais do varejo digital.
A BW Commerce trouxe maior especialização em joias e semijoias. A Braavo! ampliou a atuação no segmento de moda. Já a Livexa adicionou conhecimento e tecnologia para o mercado de bem-estar íntimo. As empresas permanecem operando como marcas independentes dentro do grupo.
Uma quarta aquisição está prevista para ser anunciada ainda em 2026, segundo a Exame.
A estratégia revela uma abordagem diferente da simples construção de uma plataforma genérica capaz de atender todos os segmentos.
Especialização por nichos pode ser uma vantagem competitiva
A aquisição da Livexa ajuda a entender essa lógica.
Anunciada em 2025, a operação poderia alcançar R$ 10 milhões e adicionou aproximadamente R$ 100 milhões anuais em vendas online ao ecossistema Magazord, segundo informações divulgadas pela ACATE.
O negócio também colocou a empresa dentro de um segmento com particularidades próprias de catálogo, distribuição e comercialização.
O mesmo raciocínio aparece nas demais aquisições.
Joias possuem desafios diferentes de moda. Moda possui necessidades diferentes de móveis. Cada vertical possui particularidades relacionadas a cadastro, variações de produtos, estoque, logística, atendimento e comportamento de compra.
Em vez de tentar desenvolver internamente conhecimento profundo sobre todos esses mercados, uma estratégia de aquisição permite incorporar empresas que já conhecem esses consumidores.
A plataforma de e-commerce está virando infraestrutura
Esse movimento ajuda a entender uma transformação maior do mercado.
No início do comércio eletrônico, uma plataforma precisava entregar essencialmente algumas funcionalidades: página de produto, carrinho, checkout e integração com pagamentos.
Hoje, isso representa apenas o básico.
Uma operação profissional pode precisar conectar estoque, ERP, marketplace, pagamentos, antifraude, transportadoras, CRM, marketing, atendimento, análise de dados e crédito.
Quanto maior a empresa, mais complexa fica essa arquitetura.
A plataforma deixa, portanto, de funcionar simplesmente como o lugar onde o site está hospedado.
Ela passa a funcionar como uma espécie de sistema operacional do varejo digital.
O crescimento da Magazord acompanha a profissionalização dos sellers
A oportunidade também está relacionada ao amadurecimento das pequenas e médias empresas brasileiras.
Nos primeiros anos do e-commerce, colocar uma loja na internet já representava um grande desafio tecnológico.
Hoje, abrir um canal digital é relativamente simples.
A dificuldade passou para outra etapa: operar de maneira eficiente.
Uma empresa pode vender simultaneamente pelo próprio site, Mercado Livre, Amazon, Shopee, TikTok Shop e canais sociais.
Precisa sincronizar estoque, pedidos e preços.
Precisa calcular frete.
Precisa processar pagamentos.
Precisa emitir documentos fiscais.
Precisa acompanhar margem.
E precisa fazer tudo isso sem perder controle operacional.
É justamente nessa complexidade que plataformas integradas passam a capturar mais valor.
Marketplaces e loja própria começam a funcionar de maneira complementar
Outro ponto importante é que a evolução das plataformas próprias não significa necessariamente uma disputa direta contra marketplaces.
Para muitos varejistas, os dois canais desempenham funções diferentes.
Marketplaces oferecem audiência, escala e aquisição.
A loja própria oferece controle sobre experiência, relacionamento, dados e construção de marca.
Uma operação madura tende cada vez mais a combinar diferentes canais.
A própria Magazord já oferecia integração com mais de 35 marketplaces em sua estrutura, segundo informações divulgadas pela companhia durante a aquisição da BW Commerce.
Nesse contexto, a função da tecnologia é justamente centralizar uma operação que se tornou fragmentada.
Crédito também entrou no ecossistema
Outra frente chama atenção.
A Magazord começou a ampliar sua presença no mercado financeiro.
Segundo informações divulgadas durante a aquisição da Livexa, sua operação de crédito já movimentava mais de R$ 100 milhões por ano, e a companhia trabalhava na estruturação de um veículo próprio para ampliar essa frente.
Essa estratégia acompanha um movimento já observado em outros grandes ecossistemas digitais.
Mercado Livre desenvolveu Mercado Pago e Mercado Crédito. Shopee ampliou serviços financeiros. Plataformas de tecnologia também começaram a integrar soluções de pagamentos e financiamento.
Existe uma razão econômica importante.
Quanto mais serviços uma empresa fornece ao lojista, maior sua participação na cadeia de valor e maior tende a ser o custo de substituição da plataforma.
A corrida agora é para construir ecossistemas
A expansão da Magazord mostra que a competição entre plataformas de e-commerce está mudando.
O mercado não disputa mais apenas quem possui o melhor construtor de lojas.
A competição envolve quem consegue integrar mais partes da operação com menor complexidade.
Tecnologia
ERP
Pagamentos
Logística
Marketplaces
Marketing
Crédito
Dados
Quanto mais essas ferramentas conversarem entre si, menor tende a ser o trabalho operacional necessário para administrar o negócio.
Para pequenos e médios varejistas, essa integração pode representar uma vantagem especialmente importante, porque essas empresas normalmente não possuem grandes equipes internas de tecnologia.
O que essa expansão ensina para quem vende online?
A trajetória da Magazord traz uma mensagem relevante para gestores de e-commerce: crescimento digital exige infraestrutura antes de exigir mais tráfego.
Aumentar investimento em mídia pode gerar vendas rapidamente.
Mas, quando a operação cresce, começam a aparecer gargalos em estoque, integração, logística, atendimento, conciliação financeira e gestão.
Por isso, empresas em expansão precisam avaliar não apenas quanto sua plataforma custa hoje, mas até onde ela consegue acompanhá-las amanhã.
Uma migração tecnológica realizada quando a empresa ainda é pequena tende a ser relativamente simples.
Migrar milhares de produtos, integrações, dados de clientes, pedidos e processos de uma operação madura pode se transformar em um projeto complexo e caro.
O interior brasileiro também está construindo tecnologia para o e-commerce
Existe ainda um aspecto simbólico importante na história.
Uma plataforma fundada em Rio do Sul, cidade do interior de Santa Catarina, agora atende milhares de empresas brasileiras e movimenta bilhões de reais em vendas dentro de seu ecossistema.
O crescimento acompanha uma característica cada vez mais evidente do comércio eletrônico nacional: a inovação do setor não está concentrada apenas nos grandes centros.
Polos regionais de tecnologia, indústria e varejo estão produzindo empresas capazes de competir nacionalmente.
E essa descentralização também ajuda a digitalizar negócios que historicamente ficaram distantes das grandes estruturas tecnológicas.
A meta de R$ 10 bilhões mostra onde está a próxima disputa
A nova unidade em Palhoça representa apenas uma parte de um plano muito maior.
A Magazord pretende sair dos R$ 2,5 bilhões movimentados em 2025 para R$ 3 bilhões em 2026 e R$ 10 bilhões até 2030, combinando expansão comercial, contratação de profissionais, desenvolvimento tecnológico e novas aquisições.
Para o mercado de e-commerce, o movimento mostra como a infraestrutura que sustenta as vendas online está se tornando um negócio estratégico por si só.
Marketplaces disputam consumidores.
Sellers disputam vendas.
Transportadoras disputam entregas.
E, nos bastidores, plataformas disputam quem será responsável por conectar toda essa operação.
A próxima geração de vencedores do e-commerce brasileiro pode não ser formada apenas pelas empresas que mais vendem.
Também poderá incluir aquelas que construírem a tecnologia utilizada por milhares de outras empresas para vender.
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