Mercado Livre anuncia megacentro logístico em Criciúma e reforça nova fase da infraestrutura do e-commerce no Brasil

LOGÍSTICA

Redação

3/22/20264 min read

Investimento no Sul mostra que velocidade de entrega virou diferencial competitivo no varejo digital

O Mercado Livre anunciou a construção de um megacentro logístico em Criciúma, Santa Catarina, com investimento estimado em R$ 80 milhões e estrutura de aproximadamente 60 mil metros quadrados. Segundo reportagem do ND Mais, a unidade será o maior centro logístico entre Florianópolis e Porto Alegre, reforçando a importância estratégica da região Sul para a expansão da empresa no país. Mais do que uma nova instalação, o projeto reflete uma tendência clara no comércio eletrônico: a infraestrutura logística tornou-se um dos principais pilares da competitividade no e-commerce. Em um mercado que movimentou R$ 204,3 bilhões em vendas online em 2024, segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), a capacidade de entregar rapidamente passou a ser um dos fatores decisivos para a experiência do consumidor.


Criciúma entra na rota logística dos marketplaces

A escolha de Criciúma para sediar o novo megacentro logístico não foi aleatória. De acordo com o ND Mais, o empreendimento será instalado em uma área próxima à BR-101, uma das principais rodovias do país, o que facilita a distribuição para diferentes regiões do Sul.
Essa localização estratégica permite otimizar rotas logísticas e reduzir o tempo de transporte para cidades importantes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. A proximidade com centros industriais e urbanos também favorece a integração com transportadoras e operadores logísticos. Nos últimos anos, grandes marketplaces têm buscado regionalizar suas operações logísticas, criando centros de distribuição mais próximos do consumidor final. Essa estratégia ajuda a reduzir custos de frete e prazos de entrega, além de aumentar a eficiência da cadeia de distribuição.

O crescimento da infraestrutura logística no e-commerce

O anúncio do Mercado Livre ocorre em um contexto de expansão acelerada da infraestrutura logística no Brasil. Dados da consultoria JLL indicam que o mercado de galpões logísticos registrou em 2025 taxa de vacância de cerca de 7,7%, o menor nível da série histórica, impulsionado principalmente pela demanda de empresas de e-commerce, varejo e logística.
Ao mesmo tempo, o crescimento das vendas online exige uma rede cada vez mais complexa de centros de distribuição, hubs regionais e operações de last mile (última milha). A entrega rápida passou a ser uma das principais expectativas do consumidor digital.
Uma pesquisa da PwC mostra que 41% dos consumidores online consideram a velocidade de entrega um dos fatores mais importantes na escolha de uma loja virtual.


A estratégia logística do Mercado Livre


O Mercado Livre vem investindo fortemente em sua estrutura logística na América Latina por meio do Mercado Envios, sistema responsável pela armazenagem, transporte e entrega de produtos vendidos na plataforma.
Nos últimos anos, a empresa ampliou significativamente sua rede de centros de distribuição no Brasil. Segundo informações divulgadas pela companhia e repercutidas pelo E-Commerce Brasil, o objetivo é fortalecer a capacidade logística para sustentar o crescimento do marketplace e melhorar a experiência de entrega.
Com a expansão da malha logística, a empresa busca oferecer prazos cada vez mais rápidos e ampliar a eficiência de sua operação. Em muitas regiões do país, já é possível realizar entregas no mesmo dia ou no dia seguinte, dependendo da localização do estoque.


O impacto para sellers e marcas que vendem em marketplaces

A ampliação da infraestrutura logística tem impacto direto para vendedores que utilizam marketplaces como canal de vendas.
Com mais centros de distribuição e hubs regionais, sellers podem se beneficiar de:
- redução no prazo de entrega
- maior cobertura geográfica
- melhoria na competitividade dos anúncios
- maior previsibilidade logística

Além disso, operações de fulfillment, nas quais o marketplace cuida da armazenagem e envio dos produtos, tendem a ganhar ainda mais relevância à medida que as plataformas expandem sua infraestrutura.
Para muitas empresas digitais, integrar-se a essas estruturas pode significar maior escalabilidade operacional.

A nova geografia da logística do e-commerce

O anúncio do megacentro em Criciúma reforça uma mudança importante no mapa logístico do país. Historicamente, a maior parte da infraestrutura de distribuição se concentrava no eixo São Paulo–Rio de Janeiro.
Agora, o crescimento do e-commerce está incentivando a criação de polos logísticos em diferentes regiões do Brasil, aproximando os estoques dos consumidores e reduzindo a dependência de poucos hubs nacionais.
Esse processo tende a tornar a rede de distribuição mais eficiente e resiliente.


Conclusão: logística se consolida como fator decisivo no e-commerce

A construção do novo megacentro logístico do Mercado Livre em Criciúma evidencia como a logística se tornou um dos elementos centrais do comércio eletrônico moderno.
Em um mercado cada vez mais competitivo, a capacidade de armazenar, processar e entregar pedidos com rapidez e eficiência se tornou um diferencial estratégico para marketplaces e varejistas digitais.
Para o ecossistema do e-commerce brasileiro, o movimento indica uma direção clara: à medida que o setor cresce, infraestrutura logística, tecnologia e integração de operações serão cada vez mais determinantes para sustentar a expansão do comércio eletrônico no país.


Leia também