Mercado Livre lidera em engajamento no e-commerce brasileiro — e isso explica quem vai dominar a próxima fase do varejo digital

VAREJO

Redação

2/20/20263 min read

a person typing on a laptop on a table
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Engajamento virou o “novo market share”

Por muito tempo, a disputa do e-commerce se resumia a tráfego, preço e frete. Em 2026, o jogo está mais sofisticado: quem conquista engajamento conquista recorrência, dados e eficiência de aquisição. E, de acordo com um relatório de audiência digital repercutido pelo E-Commerce Brasil, o Mercado Livre manteve a liderança em engajamento no e-commerce brasileiro no 4º trimestre de 2025 — um sinal importante sobre como o consumidor está se comportando e quais plataformas estão construindo hábito.

Os números que colocam o Mercado Livre na frente

O levantamento citado aponta indicadores que ajudam a explicar a liderança:

Mercado Livre: líder em páginas por visita, com média de 8 páginas por sessão (sinal de navegação mais profunda e maior intenção).

Shopee: destaque em tempo de permanência, com sessões acima de 10 minutos (indicando comportamento de exploração e “descoberta”).

Mobile: cerca de 70% das visitas aos e-commerces analisados vieram de dispositivos móveis (o que reforça o “mobile-first” como regra do jogo).

Shein: foi o e-commerce com maior crescimento anual de visitas no 4º tri, com alta de 101,3% versus o mesmo período de 2024 (ainda com participação menor que os líderes).

Além disso, análises do relatório destacam que o desempenho do Mercado Livre está associado a “loops de hábito” e a uma arquitetura de ecossistema, enquanto a Shopee teria uma dinâmica mais próxima de gamificação do consumo.

Por que “páginas por sessão” importa tanto

Quando um consumidor visita mais páginas em uma mesma sessão, normalmente há três efeitos práticos:

Maior exposição a recomendações e vitrines (cross-sell e upsell)

Mais chances de comparação e decisão dentro do canal (reduzindo necessidade de “sair para pesquisar”)

Mais sinais de intenção para o algoritmo (o que retroalimenta ranqueamento e personalização)

Ou seja: engajamento não é vaidade — é conversão potencial, retenção e eficiência de mídia.

O “triângulo” que sustenta o engajamento: experiência, conveniência e confiança

O e-commerce brasileiro está entrando numa fase em que o consumidor não quer apenas “comprar barato”. Ele quer:
experiência de navegação sem atrito (UX)
prazo e previsibilidade na entrega
confiança (reputação, avaliações, devolução clara, suporte rápido)

Quando isso acontece, o comportamento muda: a pessoa entra “só para ver” e acaba comprando — e volta mais vezes.

O cenário competitivo: concentração e disputa por atenção

O dado de engajamento conversa com outro sinal de mercado: rankings públicos de tráfego mostram que o mercadolivre.com.br aparece como #1 no Brasil na categoria “E-commerce e compras”, com amazon.com.br e shopee.com.br na sequência (recorte de janeiro de 2026).

Na prática, isso reforça uma realidade para marcas e sellers: o consumidor está concentrando atenção em poucos superplayers, e a competição acontece “dentro” dessas plataformas — em experiência, preço, logística e conteúdo.

O que marcas e sellers podem fazer para capturar engajamento (e não só cliques)

Para o público da ExpoEcomm, aqui estão aprendizados acionáveis:

1) Trate o marketplace como canal de performance + conteúdo

Não basta “listar produto”. Em ambiente competitivo, engajamento cresce quando:

título e atributos ajudam a busca interna
fotos e vídeo reduzem dúvida
descrição resolve objeções
avaliações e perguntas estão vivas

2) Mobile-first não é layout — é operação

Com ~70% do acesso via mobile, qualquer fricção (página lenta, variação confusa, imagens ruins, falta de informação) derruba engajamento e conversão.

3) Logística e SLA viraram parte do marketing

Em categorias comoditizadas, prazo e confiabilidade muitas vezes decidem a compra. E isso também alimenta o algoritmo do canal (melhor experiência → melhor entrega orgânica).

4) Pós-venda é estratégia de crescimento

Engajamento alto também é consequência de retorno: rastreio claro, comunicação proativa, resolução rápida. Isso reduz cancelamentos, melhora reputação e aumenta recompra.

Conclusão: quem domina engajamento domina o futuro do e-commerce

A liderança do Mercado Livre em engajamento no e-commerce brasileiro mostra que o mercado entrou em uma fase em que hábito vale tanto quanto aquisição. Páginas por sessão, tempo de permanência e recorrência são indicadores que antecipam quem vai ganhar eficiência, margem e escala ao longo de 2026.

Para marcas e operações digitais, o caminho é claro: competir por atenção com experiência, conteúdo, logística e pós-venda — e transformar presença em canal em algo mais poderoso do que venda pontual: relação e recorrência.


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