O "Efeito Uau" na Prática: 7 Varejistas dos EUA que Estão Redefinindo o Que Significa "Experiência do Cliente" (e o Que o Brasil Pode Aprender)
GESTÃO
Redação
1/20/20263 min read


Enquanto o e-commerce brasileiro discute frete e preço, o varejo norte-americano está travando uma batalha em outro nível: a disputa pela atenção e pelo afeto do consumidor. Uma análise recente de mercado e observações das tendências da NRF (National Retail Federation) mostram que as marcas que mais crescem nos EUA não são necessariamente as mais baratas, mas as que executam o básico com perfeição obsessiva ou criam experiências tão imersivas que a compra se torna secundária.
Para o gestor de e-commerce brasileiro, olhar para essas operações físicas é essencial. Afinal, a lógica de encantar o cliente é a mesma, seja no balcão ou no checkout. Selecionamos 7 gigantes (e novos entrantes) que dão uma aula de execução.
1. Erewhon: A Mercearia que Vende "Pertença"
O Erewhon, na Califórnia, deixou de ser um mercado para virar uma grife. Com seus smoothies de US$ 20 (frequentemente em collab com celebridades como Hailey Bieber), a marca provou que produto é commodity, marca é desejo.
A Lição para o E-commerce: O Erewhon não vende suco; vende o acesso a uma comunidade exclusiva. Seu e-commerce de alimentos naturais ou moda pode cobrar mais se criar uma narrativa de exclusividade e lifestyle que o cliente queira postar no Instagram.
2. Trader Joe’s: A Anti-Amazon
Enquanto a Amazon aposta em tecnologia sem contato, o Trader Joe’s aposta na humanização radical. Seus funcionários (Crew Members) são treinados para conversar, abrir pacotes para prova e fazer recomendações genuínas. Além disso, 80% dos produtos são de marca própria (Private Label).
A Lição para o E-commerce: Se você não pode competir com a logística da Amazon, vença na curadoria. Invista em produtos exclusivos que o cliente só encontra no seu site e treine seu suporte (WhatsApp/Chat) para ser consultivo, não robótico.
3. Buc-ee’s: O Poder da Execução Básica (Exagerada)
Imagine um posto de gasolina com 120 bombas e os banheiros mais limpos do mundo. Esse é o Buc-ee’s. A marca texana transformou a parada de estrada em destino turístico, focando em resolver a maior dor do viajante (banheiro sujo e comida ruim) com excelência maníaca.
A Lição para o E-commerce: Resolva a dor básica do seu nicho melhor do que ninguém. Se o problema do seu setor é troca difícil, faça a "Troca em 1 Clique". Se é embalagem violada, invista na caixa mais segura do mercado. O básico bem feito fideliza.
4. Scheels: Varejo como Parque de Diversões
A loja de artigos esportivos Scheels colocou uma roda-gigante de 20 metros dentro da loja. Eles entenderam o conceito de Retailtainment (Varejo + Entretenimento). O cliente vai para passear e sai com um tênis novo.
A Lição para o E-commerce: O seu site é divertido? A tendência de gamificação e lives interativas (como o TikTok Shop) é a versão digital da roda-gigante. O cliente precisa ter um motivo para entrar no seu app mesmo quando não quer comprar nada.
5. Crumbl Cookies: O Gatilho da Escassez Semanal
A rede de cookies que mais cresce nos EUA opera com um cardápio rotativo semanal. Toda segunda-feira, os sabores mudam. Isso cria um frenesi nas redes sociais (o "Crumbl Review" no TikTok) e uma urgência de compra imediata.
A Lição para o E-commerce: Crie "Drops" semanais ou ofertas relâmpago que realmente acabam. A escassez programada mantém sua base de e-mails atenta e aumenta a frequência de visitas ao site.
6. Dick’s House of Sport: Teste Antes, Compre Depois
Esqueça as araras lotadas. Nas novas lojas da Dick's, você encontra paredes de escalada, gaiolas de rebatida e campos de grama sintética. O foco saiu do "estoque" para a "experiência de uso".
A Lição para o E-commerce: Invista em vídeos de review profundos e Realidade Aumentada (AR). Se o cliente não pode escalar a parede na sua loja online, ele precisa ver alguém fazendo isso com o produto que você vende. Conteúdo técnico vende.
7. H-E-B: Hiper-Localização
A rede texana H-E-B massacra concorrentes nacionais (como Walmart) no Texas porque conhece o local como ninguém. Eles adaptam o mix de produtos de cada loja baseados no bairro, na demografia e até no clima da cidade.
A Lição para o E-commerce: Use seus dados para regionalizar a oferta. Se você vende para o Nordeste, a vitrine e a comunicação devem ser diferentes da venda para o Sul. O e-commerce nacional que "fala a gíria local" converte mais.
Conclusão: Execução é a Estratégia
O fio condutor entre esses 7 varejistas é que nenhum deles inventou a roda. Todos vendem produtos que você encontra em outros lugares. O diferencial está na execução impecável da experiência.
Para 2026, a mensagem para o e-commerce brasileiro é: pare de procurar a "bala de prata" tecnológica e comece a olhar para a jornada do seu cliente. Onde você pode colocar a sua "roda-gigante" ou o seu "banheiro limpo"? É ali que o lucro está escondido.
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