O erro de analisar marketing só por conversão direta
DEBORAH NAVARRETTE
Colunista
4/7/20263 min read


Deborah Navarrette
Especialista em Marketing com 16 anos de experiência, focada em estratégias digitais, inteligência de mercado e otimização de processos. Sua expertise abrange marketing estratégico, CRM, automação, gestão de campanhas e analytics, sempre com foco em soluções 360° que impulsionam o crescimento e a performance das empresas, liderando iniciativas que fortalecem o posicionamento das marcas e entregam resultados consistentes. Sua trajetória inclui a condução de projetos estratégicos de marketing, branding e growth, contribuindo para o crescimento sustentável de diversos negócios.
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Existe uma frase muito comum em reuniões de marketing que é: “E-mail não vende.”
“WhatsApp não converte tanto quanto anúncio.”
Na maioria das vezes, isso não é verdade. O que acontece é que muitos times estão olhando para os dados da forma errada.
Grande parte das análises ainda considera apenas a conversão direta. Ou seja, a venda é atribuída ao último canal que levou o cliente ao site antes da compra.
O problema é que canais de relacionamento raramente são o último passo da jornada.
Canais de relacionamento trabalham antes da conversão
Enquanto anúncios e buscas costumam capturar a demanda existente, canais como e-mail e WhatsApp costumam atuar em outro momento da jornada.
Eles fazem coisas diferentes:
– lembram o cliente da marca
– reforçam uma oferta
– apresentam novos produtos
– recuperam carrinhos abandonados
– reativam clientes antigos
Em muitos casos, eles não são o clique final da compra. Mas ajudam a construir a decisão.
Quando analisamos apenas a conversão direta, esse papel simplesmente desaparece da análise.
O efeito invisível das campanhas
Na prática, o que acontece é o seguinte:
Um cliente pode abrir um e-mail hoje.
Receber uma mensagem alguns dias depois.
Voltar ao site por uma busca ou acesso direto.
E só então finalizar a compra.
Se o relatório considera apenas o último clique, toda a influência dessas campanhas desaparece e isso faz com que muitos times subestimem o impacto de canais de relacionamento.
O que acontece quando começamos a analisar influência
Quando passamos a olhar a jornada completa do cliente, a leitura muda.
Em análises realizadas na Flowbiz, já vimos casos em que a automação de marketing parecia representar pouco mais de 7% do faturamento quando analisada pelo modelo tradicional de último clique.
Quando a análise passou a considerar a influência das campanhas ao longo da jornada, essa participação subiu para mais de 14% da receita.
Ou seja, o impacto real do marketing era praticamente o dobro do que aparecia nos relatórios tradicionais.
O mesmo aconteceu com o número de pedidos atribuídos às campanhas, que aumentou significativamente quando a influência das interações passou a ser considerada.
O problema não é o canal. É a forma de medir
Esse tipo de situação acontece porque muitos canais trabalham em conjunto.
Um anúncio pode iniciar a descoberta.
Um e-mail pode reforçar o interesse.
Uma mensagem pode lembrar o cliente da oferta.
A venda final pode acontecer por outro canal, mas a decisão foi construída ao longo da jornada.
Quando analisamos apenas a conversão direta, enxergamos apenas o final da história.
Marketing não acontece em um único clique
Durante muito tempo, o marketing digital foi avaliado por métricas como cliques, tráfego e conversões diretas. Mas, à medida que o e-commerce amadurece, essas métricas isoladas deixam de contar a história completa.
Hoje, cada vez mais empresas estão evoluindo sua forma de análise para entender: quais canais participam das vendas, quais campanhas influenciam a decisão de compra e como a jornada do cliente realmente acontece.
Essa mudança de mentalidade traz algo essencial para a gestão de marketing: clareza sobre o impacto real na receita.
Porque no fim das contas, a pergunta mais importante não é apenas quem gerou o último clique. É quem ajudou a construir a venda.
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