OpenAI abre Ads Manager Beta no Brasil e inaugura uma nova fronteira da publicidade digital

TECNOLOGIAS

Redação

8/7/20266 min read

Plataforma começa a permitir que anunciantes brasileiros criem e gerenciem campanhas no ChatGPT, aproximando a inteligência artificial generativa do mercado de mídia e abrindo um novo canal para marcas e empresas de e-commerce.

Durante mais de duas décadas, grande parte da publicidade digital foi construída em torno de dois ambientes: mecanismos de busca e redes sociais. Agora, a inteligência artificial conversacional começa a disputar espaço nesse mercado.

A OpenAI iniciou a expansão do Ads Manager Beta, plataforma que permite criar, lançar, acompanhar e gerenciar campanhas publicitárias exibidas no ChatGPT. O Brasil faz parte dos mercados contemplados pela expansão dos testes da companhia.

A novidade ganha ainda mais relevância porque empresas brasileiras começaram a receber convites para acessar a plataforma. Na comunicação enviada a anunciantes — como mostra o material recebido pela ExpoEcomm — a OpenAI informa que organizações sediadas no Brasil já podem começar a utilizar o ChatGPT Ads.

A entrada da publicidade dentro de uma das principais plataformas de inteligência artificial do mundo pode representar uma transformação importante para o marketing digital e, principalmente, para empresas de e-commerce.

Brasil entrou na expansão internacional dos anúncios no ChatGPT

A OpenAI começou a testar publicidade no ChatGPT de maneira gradual em 2026.

Em maio, a companhia anunciou oficialmente que pretendia expandir o projeto-piloto para Brasil, Reino Unido, México, Japão e Coreia do Sul, convidando empresas desses mercados a manifestarem interesse em anunciar na plataforma.

Agora, o movimento avança para uma etapa mais operacional.

O OpenAI Ads Manager Beta já oferece uma estrutura de autoatendimento para criação e gerenciamento de campanhas. Segundo a documentação oficial da companhia, o produto continua em fase beta e novas funcionalidades deverão ser incorporadas conforme os testes evoluírem.

A comunicação recebida por anunciantes brasileiros reforça essa expansão ao informar explicitamente que empresas sediadas no Brasil interessadas em anunciar no ChatGPT podem começar a utilizar a plataforma.

O que é o OpenAI Ads Manager?

A lógica começa a se aproximar das plataformas de mídia com as quais profissionais de marketing já estão acostumados.

De acordo com a documentação oficial da OpenAI, atualmente o Ads Manager Beta permite criar e gerenciar campanhas, acompanhar impressões, cliques e investimentos, exportar relatórios em CSV e administrar membros, permissões, faturamento e configurações da conta.

A plataforma também já oferece recursos relacionados à mensuração de conversões e estratégias de lance por CPC — custo por clique.

O processo de configuração envolve cadastro da empresa, verificação da conta, definição de país, moeda e fuso horário, configuração de faturamento e possibilidade de adicionar outros integrantes da equipe.

Isso mostra que a OpenAI não está apenas realizando experiências isoladas com publicidade. A companhia começa a construir uma infraestrutura própria para transformar o ChatGPT em um novo canal de mídia digital.

O diferencial pode estar no momento da descoberta

É justamente aqui que a novidade se torna particularmente interessante para o e-commerce.

Google e marketplaces tradicionalmente capturam consumidores que demonstram uma intenção relativamente clara.

Alguém pesquisa por um produto, compara preços ou procura determinada categoria.

Nas plataformas sociais, a dinâmica é diferente: algoritmos utilizam interesses e comportamento para encontrar potenciais consumidores.

Uma interface conversacional introduz outra possibilidade.

O consumidor pode começar uma conversa tentando resolver um problema, pesquisar alternativas, comparar possibilidades e, ao longo da interação, desenvolver uma intenção comercial.

Essa jornada pode transformar a inteligência artificial em um novo ambiente de descoberta de produtos e serviços.

Anúncios não alteram as respostas do ChatGPT

A integração entre publicidade e inteligência artificial também levanta uma questão fundamental: uma empresa poderá pagar para influenciar aquilo que o ChatGPT responde?

Segundo a OpenAI, não.

A companhia afirma que os anúncios são separados das respostas e não influenciam aquilo que o ChatGPT diz aos usuários. A OpenAI também afirma que anunciantes não recebem acesso às conversas dos usuários.

Esse ponto será especialmente importante para a credibilidade do modelo.

A confiança é um dos principais ativos das plataformas de inteligência artificial. Misturar recomendações orgânicas e publicidade sem transparência poderia comprometer justamente esse diferencial.

Por isso, a separação entre conteúdo patrocinado e resposta da IA tende a ser uma questão central na evolução desse mercado.

Quem verá publicidade?

A estratégia também não envolve necessariamente todos os usuários.

Segundo a documentação atual da OpenAI, anúncios podem aparecer para usuários dos planos Free e Go. Já contas Pro, Business, Enterprise e Edu não recebem anúncios.

A plataforma ainda está em estágio inicial e formatos, inventário, sistemas de entrega e ferramentas de mensuração poderão mudar durante o período beta.

Isso significa que ainda é cedo para tratar o ChatGPT Ads como um canal consolidado comparável ao Google Ads ou Meta Ads.

Ainda não existem benchmarks consolidados

Para profissionais de performance, esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

A própria OpenAI reconhece que o ChatGPT Ads ainda não possui benchmarks consolidados de desempenho entre anunciantes, segmentos ou tipos de campanha.

Resultados podem variar conforme objetivo, criativo, landing page, relevância e configuração da campanha.

Portanto, métricas tradicionais como CPC, CTR, conversão e ROAS ainda precisarão ser observadas conforme o ecossistema amadurece.

Para anunciantes pioneiros, isso significa entrar em um ambiente com maior incerteza, mas também com oportunidade de aprendizado antecipado.

Grandes marcas já começam a testar o canal

O interesse do mercado publicitário está crescendo.

Dados da Sensor Tower publicados pelo Business Insider apontam que o número de anunciantes identificados no ChatGPT passou de aproximadamente 300 para mais de 820 entre abril e julho de 2026.

Entre as empresas que passaram a testar publicidade estão grandes marcas internacionais de varejo, software, serviços financeiros e turismo. Segundo o levantamento, o varejo permanece entre os segmentos com maior participação nos investimentos.

O dado mostra como rapidamente empresas começam a experimentar a inteligência artificial como canal de aquisição.

O que muda para o e-commerce?

Para lojas virtuais, marketplaces e marcas digitais, surge potencialmente uma nova etapa do funil.

Até agora, boa parte das estratégias estava organizada em torno de três grandes momentos: gerar descoberta nas redes sociais, capturar intenção nos buscadores e converter dentro da loja ou marketplace.

A IA conversacional pode ocupar espaço entre essas etapas.

Imagine consumidores perguntando:

“Qual produto é melhor para minha necessidade?”

“Quais opções existem para resolver esse problema?”

“Como escolher entre essas alternativas?”

“Quais características devo considerar antes de comprar?”

São conversas que antecedem uma decisão comercial.

Estar presente de maneira relevante nesse contexto pode criar uma nova fonte de tráfego e aquisição para empresas digitais.

SEO, GEO e mídia paga começam a convergir

A expansão dos anúncios também reforça outro movimento importante para o mercado.

Empresas já começaram a discutir estratégias de GEO — Generative Engine Optimization, buscando aumentar a presença de suas marcas e conteúdos nas respostas e ambientes de descoberta mediados por inteligência artificial.

Agora surge uma camada adicional: mídia paga.

O futuro da aquisição digital pode envolver simultaneamente:

SEO, para mecanismos de busca;

GEO, para mecanismos generativos;

Retail Media, dentro de marketplaces;

Social Ads, nas redes sociais;

e AI Ads, dentro de plataformas conversacionais.

Para gestores de e-commerce, isso significa que a estratégia de mídia tende a ficar ainda mais fragmentada — e a mensuração de cada canal será fundamental.

Não é hora de abandonar Google ou Meta

A chegada de um novo canal costuma gerar entusiasmo, mas empresas precisam evitar conclusões precipitadas.

Google, Meta e marketplaces possuem ecossistemas publicitários maduros, bilhões de sinais de comportamento e ferramentas sofisticadas de segmentação e mensuração.

O ChatGPT Ads está apenas começando.

A própria OpenAI deixa claro que funcionalidades e sistemas continuarão evoluindo durante o beta.

Para empresas que tiverem acesso, portanto, a estratégia mais racional tende a ser tratar o canal inicialmente como laboratório de aquisição, acompanhando custos, qualidade do tráfego e conversões antes de aumentar significativamente os investimentos.

Uma nova disputa pela intenção do consumidor começa

A chegada do Ads Manager talvez seja mais importante pelo que representa do que pelo tamanho atual da plataforma publicitária.

Durante anos, Google dominou a intenção de busca. Meta transformou atenção e interesses em mídia. Amazon, Mercado Livre e outros marketplaces transformaram intenção de compra em retail media.

Agora, plataformas de inteligência artificial começam a disputar um novo território: a intenção construída durante uma conversa.

Para o e-commerce brasileiro, acompanhar essa transformação será essencial.

Ainda não sabemos qual será o peso do ChatGPT Ads na distribuição dos investimentos publicitários nos próximos anos. Mas a abertura do Ads Manager para empresas brasileiras mostra que a publicidade dentro da inteligência artificial deixou de ser apenas uma possibilidade futura.

Ela começa a se tornar um novo canal de mídia — e o mercado de e-commerce precisará aprender como utilizá-lo.

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