Pequenos negócios descobrem uma nova fonte de receita ao se tornarem pontos de retirada do e-commerce
LOGÍSTICA
Redação
7/21/20264 min read


A logística colaborativa está criando oportunidades para lojas físicas aumentarem o fluxo de clientes, diversificarem receitas e fortalecerem sua presença na economia digital.
O crescimento do comércio eletrônico continua transformando o varejo brasileiro, mas uma das mudanças mais interessantes acontece longe dos grandes centros de distribuição. Cada vez mais, pequenos estabelecimentos comerciais estão encontrando uma nova oportunidade de negócio ao atuar como pontos de retirada de compras online.
Papelarias, lojas de conveniência, chaveiros, distribuidoras, mercados de bairro e diversos outros comércios passaram a integrar a malha logística de grandes marketplaces. Além de receber encomendas para retirada pelos consumidores, muitos desses estabelecimentos também operam como pontos de coleta de vendedores e locais para logística reversa.
Mais do que uma renda adicional, essa tendência aproxima o pequeno varejo da economia digital e mostra como o e-commerce pode gerar oportunidades mesmo para empresas que não vendem diretamente pela internet.
A logística virou um novo modelo de negócio
O crescimento acelerado das vendas online aumentou a necessidade de criar operações logísticas mais rápidas, descentralizadas e eficientes.
Segundo dados da ABComm, o comércio eletrônico brasileiro segue em expansão, impulsionando investimentos em infraestrutura logística e novos modelos de entrega. A reportagem da Agência O Globo destaca que o setor faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% sobre o ano anterior, com expectativa de alcançar R$ 259 bilhões em 2026.
Nesse cenário, os marketplaces passaram a utilizar pequenos negócios locais como extensão de suas operações.
Essa estratégia reduz custos logísticos, aumenta a capilaridade das entregas e oferece mais conveniência ao consumidor.
Como funciona um ponto de retirada?
Na prática, o estabelecimento comercial continua exercendo sua atividade principal, mas passa a receber encomendas enviadas pelos marketplaces.
Dependendo do parceiro logístico, o local pode desempenhar diferentes funções:
entrega de pedidos aos consumidores;
coleta de produtos enviados por vendedores;
recebimento de devoluções;
apoio à logística reversa;
consolidação de pacotes para transporte.
Cada plataforma possui regras próprias de cadastramento, operação e remuneração.
Shopee e Magalu ampliam suas redes
Entre os marketplaces que mais expandiram esse modelo estão Shopee e Magazine Luiza.
Segundo a Agência O Globo, a Shopee já conta com mais de 3 mil Agências Shopee, distribuídas por mais de 800 cidades brasileiras. Apenas no estado do Rio de Janeiro existem mais de 500 unidades, sendo aproximadamente 90% operadas por pequenos negócios.
O Magazine Luiza, por sua vez, possui cerca de 1.600 pontos de retirada, incluindo lojas próprias e parceiros cadastrados por meio da Agência Magalu Entregas.
O objetivo é tornar as entregas mais rápidas e reduzir a distância entre centros logísticos e consumidores.
Mais movimento significa mais vendas
Embora exista remuneração pelos serviços prestados, muitos empreendedores afirmam que o maior benefício está no aumento do fluxo de pessoas.
Clientes que entram na loja para retirar um pacote frequentemente aproveitam para consumir outros produtos.
Segundo a reportagem da Agência O Globo, alguns estabelecimentos chegam a receber centenas de visitantes diariamente por causa das retiradas, ampliando significativamente as oportunidades de venda cruzada.
Esse comportamento é conhecido no varejo como efeito de tráfego incremental.
Em outras palavras, a logística passa a funcionar também como ferramenta de aquisição de clientes.
O pequeno varejo ganha relevância no ecossistema digital
Durante muitos anos, o avanço do e-commerce foi visto como uma ameaça ao comércio local.
Hoje, esse cenário começa a mudar.
Os marketplaces perceberam que utilizar pequenos negócios como parceiros reduz custos, acelera entregas e melhora a experiência do consumidor.
Ao mesmo tempo, comerciantes locais passam a integrar uma cadeia logística nacional sem precisar investir milhões em infraestrutura.
Essa relação cria benefícios para ambos os lados.
Enquanto as plataformas ampliam sua capilaridade, o pequeno empreendedor diversifica sua fonte de receita e fortalece sua presença na comunidade.
A experiência do consumidor também melhora
O modelo atende uma necessidade crescente dos consumidores brasileiros.
Nem sempre há alguém disponível para receber uma encomenda em casa.
Além disso, problemas como condomínios sem portaria, restrições de horário e tentativas frustradas de entrega aumentam os custos das operações logísticas.
Pontos de retirada oferecem mais flexibilidade.
O cliente escolhe onde deseja retirar seu pedido, economiza tempo e reduz o risco de devoluções por ausência no endereço.
Segundo levantamento citado pela Shopify, a modalidade "Compre Online e Retire" (BOPIS) tornou-se um dos formatos omnichannel que mais crescem no varejo, impulsionando conveniência e redução de custos logísticos.
A logística deixa de ser apenas custo
Tradicionalmente, a logística era vista apenas como um centro de despesas.
Hoje ela passou a ser uma vantagem competitiva.
Empresas que conseguem entregar mais rápido, oferecer diferentes modalidades de recebimento e aproximar produtos dos consumidores tendem a conquistar melhores índices de satisfação.
Para os marketplaces, utilizar parceiros locais reduz parte dos custos da chamada "última milha", considerada a etapa mais cara da entrega.
Para os pequenos negócios, significa gerar receita utilizando uma estrutura que muitas vezes já existia.
O que isso significa para o e-commerce?
O crescimento dos pontos de retirada mostra que o futuro do comércio eletrônico será cada vez mais colaborativo.
A integração entre plataformas digitais e estabelecimentos físicos cria um ecossistema mais eficiente, sustentável e conveniente para todos os envolvidos.
Mais do que vender produtos, os pequenos negócios passam a oferecer serviços logísticos, ampliando sua relevância dentro da cadeia do e-commerce.
Essa tendência também fortalece estratégias omnichannel, nas quais o consumidor transita naturalmente entre canais físicos e digitais durante sua jornada de compra.
O varejo físico ganha um novo papel
O avanço do comércio eletrônico não representa o fim das lojas físicas. Ao contrário.
Cada vez mais, esses estabelecimentos assumem novas funções dentro da cadeia de valor: showroom, ponto de retirada, centro de coleta, espaço para logística reversa e hub de relacionamento com o cliente.
Para milhares de pequenos empreendedores, essa transformação representa uma oportunidade concreta de aumentar receitas, atrair novos consumidores e participar ativamente do crescimento da economia digital.
No fim das contas, o futuro do varejo não será apenas físico ou digital. Será integrado — e os pontos de retirada mostram que essa integração já está acontecendo.
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