Recorde histórico no e-commerce brasileiro: alcançamos R$ 295,6 bilhões em vendas

VAREJO

Redação

8/23/20267 min read

Expansão de hubs logísticos, entrada de novos negócios e mudança no comportamento do consumidor levaram o comércio eletrônico ao maior faturamento já registrado no País. Dados também mostram forte concentração das vendas em São Paulo e novas oportunidades fora dos grandes centros.

O comércio eletrônico brasileiro encerrou 2025 em um novo patamar.

Segundo a Radiografia do Comércio Eletrônico 2026, elaborada pela FecomercioSP a partir de dados próprios, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o e-commerce brasileiro movimentou R$ 295,6 bilhões em 2025, o maior faturamento da série histórica.

O resultado representa crescimento de 20% em relação a 2024, equivalente a aproximadamente R$ 48 bilhões adicionais em vendas online em apenas um ano.

Mais do que um novo recorde, os números revelam uma transformação estrutural do varejo brasileiro. Investimentos em centros de distribuição, avanço dos marketplaces, maior participação de pequenos negócios e consumidores definitivamente habituados às compras digitais estão ampliando o alcance do setor.

E-commerce já representa 6,5% de todo o varejo

A expansão também pode ser observada pela participação do comércio eletrônico dentro do varejo brasileiro.

Em 2025, as vendas online passaram a representar 6,5% do faturamento total do varejo, segundo a FecomercioSP. Em 2024, essa participação era de 5,4% e, em 2023, de 5,1%.

A trajetória de longo prazo é ainda mais expressiva.

Em 2016, o e-commerce brasileiro faturava R$ 55,9 bilhões. Nove anos depois, chegou a R$ 295,6 bilhões.

Isso representa crescimento acumulado de aproximadamente 429% no período.

O dado ajuda a desmontar uma percepção que acompanhou o setor durante os últimos anos: a ideia de que o salto ocorrido durante a pandemia seria apenas temporário.

Segundo a FecomercioSP, embora o faturamento tenha crescido 81% entre 2019 e 2020, o mercado continuou expandindo nos anos seguintes, com crescimento próximo de 10% ao ano.

Ou seja, a pandemia acelerou uma transformação que já estava em andamento, mas o consumidor não voltou ao comportamento anterior.

O consumidor brasileiro incorporou definitivamente a compra online

Outro indicador ajuda a explicar a continuidade desse crescimento.

Dados destacados pela FecomercioSP a partir do IBGE mostram que 52% da população brasileira realizou alguma compra pela internet em 2025. Em 2022, essa proporção era de 48%.

O comércio eletrônico, portanto, deixou de ser um canal complementar utilizado apenas por determinados perfis de consumidor.

Comprar online passou a fazer parte da rotina de uma parcela crescente da população.

Ao mesmo tempo, o varejo tradicional teve desempenho muito mais moderado. Segundo o IBGE, o volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 1,6% em 2025, enquanto a receita nominal avançou 6,4%.

A comparação reforça como o canal digital continua ganhando participação dentro do consumo brasileiro.

Logística se tornou um dos motores dessa expansão

Uma das principais explicações para o avanço está fora da tela.

Nos últimos anos, grandes empresas passaram a investir fortemente em hubs logísticos, centros de fulfillment, rotas próprias e entregas cada vez mais rápidas.

O Ministério de Portos e Aeroportos reconhece esse movimento e afirma que a expansão do e-commerce está ampliando inclusive a utilização de aeroportos brasileiros para operações logísticas. Empresas como Mercado Livre e Amazon vêm aumentando centros de distribuição, hubs aéreos e rotas cargueiras no País.

Em 2026, por exemplo, o Mercado Livre anunciou investimentos de R$ 57 bilhões no Brasil e uma rede que deve chegar a 42 centros de distribuição. A Amazon também ampliou sua estrutura aérea com um hub em Brasília destinado a melhorar a distribuição para as regiões Norte e Centro-Oeste.

Essa infraestrutura reduz uma das maiores barreiras históricas do comércio eletrônico brasileiro: distância.

Quanto menor o prazo e maior a previsibilidade da entrega, mais categorias tornam-se competitivas no ambiente digital.

O e-commerce já não depende apenas de eletrônicos

A composição das vendas também está mudando.

Smartphones ainda lideraram o ranking em 2025, movimentando aproximadamente R$ 10,3 bilhões.

Mas os produtos seguintes mostram uma diversificação importante.

Segundo a FecomercioSP, os livros movimentaram cerca de R$ 9,6 bilhões, enquanto complementos alimentares — como suplementos e whey protein — alcançaram R$ 6,7 bilhões. Refrigeradores chegaram a R$ 6,4 bilhões e televisores a R$ 6,2 bilhões. Esse mix revela uma mudança relevante.

O e-commerce brasileiro deixou de depender predominantemente de bens duráveis e eletrônicos e passou a capturar categorias de maior frequência e reposição. Isso pode ter impacto importante na dinâmica do setor.

Produtos recorrentes ampliam as oportunidades de recompra, fidelização, assinatura e relacionamento de longo prazo com o consumidor.

O grande centro vendedor do e-commerce brasileiro continua sendo São Paulo

Apesar da expansão nacional do consumo, existe uma forte concentração na origem das vendas.

Segundo a Radiografia da FecomercioSP, 55,8% de todo o faturamento online brasileiro em 2025 teve origem em empresas localizadas no Estado de São Paulo.

Foram aproximadamente R$ 165 bilhões.

Minas Gerais aparece em segundo lugar, com R$ 38 bilhões e participação de 12,9%. Na sequência estão Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná e Rio de Janeiro.

A concentração ajuda a explicar por que grande parte dos principais centros logísticos e estruturas de fulfillment está localizada no Sudeste.

O próprio MDIC reconhece essa desigualdade regional. Segundo o Programa E-commerce.BR, Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntos representam apenas cerca de 10% das vendas do comércio eletrônico nacional.

Esse desequilíbrio é justamente uma das razões pelas quais políticas públicas vêm buscando ampliar a digitalização de pequenas e médias empresas fora dos principais polos.

O consumidor está mais espalhado que os vendedores

Quando a análise muda da origem da venda para o destino da compra, o cenário fica mais distribuído.

São Paulo continua liderando, mas representa 31,4% das compras online, com aproximadamente R$ 92,9 bilhões. Minas Gerais aparece com 12,8%, Rio de Janeiro com 9,3%, Paraná com 5,9% e Bahia com 5,3%.

Essa diferença entre onde estão os vendedores e onde estão os compradores cria oportunidades interessantes.

Empresas podem estar concentradas em poucos Estados, mas a demanda já é nacional.

Para sellers, isso reforça a importância de analisar regiões que eventualmente apresentam menor oferta local, mas consumidores cada vez mais ativos.

A expansão dos hubs pode mudar o mapa do e-commerce

Esse desequilíbrio regional ajuda a explicar por que marketplaces e operadores logísticos estão ampliando estruturas fora dos grandes centros.

A Shopee, por exemplo, inaugurou em São Bernardo do Campo um dos seus maiores centros de distribuição do País, com capacidade anunciada de processamento de até 3,8 milhões de pacotes por dia, segundo o Ministério do Empreendedorismo. Mas a tendência vai além da Região Metropolitana de São Paulo.

Hubs regionais, centros de cross-docking, pontos de retirada e operações aéreas estão permitindo aproximar estoque e consumidor.

Quanto mais essa infraestrutura se distribui pelo território nacional, maior tende a ser a viabilidade econômica de vender para localidades anteriormente consideradas difíceis ou caras.

Pequenos negócios também estão entrando no jogo

Outro vetor relevante é a digitalização das pequenas empresas.

O estudo da FecomercioSP destaca o crescimento expressivo da participação de negócios enquadrados no Simples Nacional no ambiente digital.

Esse avanço mostra que o e-commerce brasileiro está deixando de ser dominado apenas por grandes varejistas.

Marketplaces, meios de pagamento digitais, plataformas SaaS e operadores logísticos reduziram significativamente as barreiras técnicas para começar a vender online.

Hoje, um pequeno negócio consegue acessar infraestrutura de pagamento, publicidade, fulfillment e distribuição que há uma década estaria disponível apenas para grandes companhias.

O MDIC mantém inclusive o Programa E-commerce.BR com foco específico em ampliar a participação de micro, pequenas e médias empresas nas regiões com menor maturidade digital.

A Reforma Tributária pode redesenhar parte dessa geografia

A Radiografia também chama atenção para outra transformação importante: os efeitos da Reforma Tributária sobre o comércio eletrônico.

Segundo a FecomercioSP, o novo modelo altera progressivamente a lógica de arrecadação do consumo, transferindo o peso tributário da origem da venda para o destino da compra.

Isso possui implicações particularmente relevantes para um setor no qual vendedor e comprador frequentemente estão localizados em Estados diferentes.

Estados considerados grandes vendedores líquidos podem perder parte da arrecadação relativa, enquanto mercados consumidores podem ganhar importância.

Para empresas, o tema exige acompanhamento técnico cuidadoso, especialmente porque a transição tributária acontecerá gradualmente e terá diferentes efeitos conforme o regime e a estrutura de cada operação.

O próximo ciclo será menos sobre entrar no digital e mais sobre competir bem nele

O recorde de R$ 295,6 bilhões comprova que o e-commerce brasileiro continua em expansão. Mas o amadurecimento do mercado traz um novo desafio.
Abrir uma loja online já não representa diferenciação. Estar em um marketplace também não.

Tecnologia básica tornou-se acessível e consumidores possuem dezenas de alternativas em poucos segundos.
A competição passa para outras frentes: logística, preço, experiência, reputação, recorrência, qualidade de produto, atendimento e eficiência operacional.
Quanto maior o mercado, maior também a exigência para disputar participação dentro dele.

O que os dados ensinam para quem vende online

O levantamento deixa alguns sinais particularmente importantes para gestores e empreendedores de e-commerce.

O primeiro é que ainda existe espaço para crescimento. Mais brasileiros estão incorporando as compras digitais à rotina e novas categorias continuam migrando para a internet.

O segundo é que a oportunidade não está distribuída de maneira uniforme. A estrutura de vendas ainda é extremamente concentrada, enquanto o consumo se espalha pelo País.

O terceiro é que logística deixou de ser apenas consequência da venda. Ela se tornou parte da estratégia de aquisição, conversão e retenção.

E o quarto é que categorias de consumo recorrente começam a ganhar protagonismo, criando espaço para modelos baseados em relacionamento e recompra.

O e-commerce brasileiro ainda está longe do teto

Os números de 2025 mostram que o comércio eletrônico brasileiro não apenas preservou os ganhos conquistados na pandemia como continuou ampliando sua relevância dentro do varejo.

Em menos de uma década, o faturamento passou de R$ 55,9 bilhões para quase R$ 300 bilhões.

E o contexto atual sugere que a próxima etapa será ainda mais estrutural.

Novos hubs reduzem distâncias. Pequenos negócios entram no mercado. Marketplaces aumentam capilaridade. A logística fica mais rápida. O consumidor amplia as categorias compradas pela internet.

Nesse cenário, talvez a principal oportunidade para o e-commerce brasileiro já não seja simplesmente convencer mais pessoas a comprar online.

É conseguir atender melhor, mais rápido e de maneira rentável um consumidor que já incorporou definitivamente o digital ao seu comportamento de compra.

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