São Paulo segue no topo do e-commerce brasileiro e concentra quase metade das vendas online

GESTÃO

Redação

8/24/20268 min read

Estado mantém posição de protagonista no comércio eletrônico nacional e, em junho, respondeu por 46,1% dos pedidos entre mais de 100 mil lojas analisadas pela Nuvemshop. Força econômica, infraestrutura logística e maturidade digital ajudam a explicar a liderança — mas outros estados começam a crescer mais rápido.

O comércio eletrônico brasileiro está se tornando cada vez mais nacional, mas seu principal centro de gravidade ainda está em São Paulo.

Reportagem exibida pelo Jornal da EPTV, afiliada da Globo na região de Ribeirão Preto e Franca, voltou a destacar a relevância do e-commerce no Estado de São Paulo no cenário nacional. O protagonismo paulista encontra respaldo em diferentes indicadores recentes do mercado.

Em junho de 2026, por exemplo, São Paulo concentrou 46,1% de todos os pedidos realizados nas mais de 100 mil lojas ativas acompanhadas pelo Radar do E-commerce D2C da Nuvemshop.

Foram aproximadamente 1,2 milhão de pedidos e R$ 358,1 milhões em faturamento apenas naquele mês dentro da base analisada.

É uma dimensão que ajuda a entender por que acompanhar o mercado paulista continua sendo fundamental para quem vende pela internet no Brasil.

Mas os números também revelam uma mudança importante: São Paulo continua enorme, porém o crescimento do e-commerce começa a se espalhar com mais intensidade pelo restante do país.

Quase metade dos pedidos ainda passa por São Paulo

A liderança paulista aparece de forma consistente nos dados mensais da Nuvemshop.

Em março de 2026, São Paulo respondeu por 47,2% do faturamento da base analisada, movimentando R$ 323,1 milhões. Em abril, foram R$ 337 milhões, correspondentes a 47,7%. Em maio, o estado alcançou R$ 364,3 milhões e 49,1% do faturamento.

Em junho, foram R$ 358,1 milhões e cerca de 1,2 milhão de pedidos.

Os números precisam ser interpretados dentro da metodologia da pesquisa: o Radar da Nuvemshop acompanha operações D2C, nas quais marcas vendem diretamente aos consumidores por suas lojas virtuais, e não representa todo o comércio eletrônico brasileiro.

Ainda assim, uma base superior a 100 mil lojas oferece uma fotografia relevante da distribuição geográfica do varejo digital. E nela São Paulo aparece muito à frente dos demais estados.

Por que São Paulo é tão forte no comércio eletrônico?

Não existe uma única explicação.

O Estado de São Paulo reúne simultaneamente uma grande população consumidora, concentração empresarial, centros de distribuição, operadores logísticos, tecnologia, serviços financeiros, agências, plataformas e mão de obra especializada.

Essa combinação cria um ecossistema favorável para empresas que precisam atender consumidores em diferentes regiões do país.

A força do digital também acompanha a própria dimensão do varejo paulista.

Segundo estimativas da FecomercioSP, o comércio varejista do estado encerrou 2025 próximo de R$ 1,5 trilhão em faturamento, depois de registrar R$ 1,42 trilhão em 2024. Ou seja, o e-commerce paulista não existe isoladamente.

Ele está inserido no maior mercado consumidor e empresarial do país, permitindo que grandes redes, indústrias e pequenos negócios desenvolvam operações digitais cada vez mais sofisticadas.

O digital já representa uma parcela estrutural do varejo

Outro dado ajuda a dimensionar a transformação.

A FecomercioSP estima que atualmente o e-commerce corresponda a aproximadamente 12% das vendas totais do varejo brasileiro. A entidade aponta ainda que 78% das vendas online passam pelos marketplaces.

É uma mudança significativa quando observada em perspectiva histórica.

Em levantamento anterior da própria FecomercioSP, o comércio eletrônico brasileiro havia movimentado R$ 205,1 bilhões em 2023, representando 6,9% das vendas do setor. Sete anos antes, essa participação era de apenas 2,4%.

O digital, portanto, deixou de ser apenas um canal complementar.

Para inúmeras categorias, ele passou a influenciar diretamente preço, logística, atendimento, disponibilidade, marketing e até a função das lojas físicas.

Marketplaces ajudam a explicar a escala

A elevada participação dos marketplaces é particularmente importante para compreender a força de São Paulo. Empresas não precisam mais construir toda a audiência digital do zero.

Uma pequena indústria ou varejista pode acessar consumidores de diferentes estados utilizando grandes plataformas, desde que consiga estruturar catálogo, preço, reputação, estoque e logística.

Ao mesmo tempo, essa facilidade aumenta dramaticamente a concorrência.

O consumidor que antes comparava três ou quatro estabelecimentos da própria cidade pode agora comparar dezenas de vendedores em poucos segundos. E a competição não é mais apenas nacional.

A FecomercioSP vem alertando para a pressão exercida por plataformas internacionais, especialmente empresas asiáticas que ganharam relevância no consumo digital brasileiro.

Para o seller paulista, portanto, estar localizado no maior mercado do país é uma vantagem — mas não garante competitividade.

O celular se tornou a principal loja do consumidor

A transformação também aparece no dispositivo utilizado para comprar.

Segundo o Radar da Nuvemshop, 80,4% dos pedidos registrados em junho de 2026 vieram de dispositivos móveis. O desktop respondeu por apenas 11,8%.

Em março, mais de oito em cada dez pedidos já eram realizados pelo celular. Esse comportamento tem implicações práticas profundas.

Uma operação pode ter excelentes produtos e preços competitivos e ainda perder vendas porque seu checkout exige etapas demais.

Pode investir milhares de reais em mídia e desperdiçar tráfego por causa de páginas lentas. Pode oferecer condições comerciais atraentes, mas dificultar o pagamento.

O crescimento do e-commerce está tornando a experiência mobile menos uma questão de design e mais uma questão de resultado financeiro.

Redes sociais também mudaram a descoberta de produtos

O caminho até a compra também está mudando.

Dados de junho da Nuvemshop mostram que o Instagram respondeu por 29,6% das origens de vendas identificadas na base analisada, enquanto a participação do Meta Ads chegou a 8,4% e praticamente dobrou em um ano. Isso reforça uma transformação importante.

O consumidor não necessariamente abre uma loja virtual sabendo exatamente o que deseja comprar. Ele descobre produtos enquanto consome conteúdo. Encontra marcas através de influenciadores. Recebe anúncios personalizados. Pesquisa avaliações. Compara preços. Conversa pelo WhatsApp. E só então decide onde finalizar a compra. A jornada está cada vez menos linear.

Para empresas, isso significa que conteúdo, mídia, social commerce, CRM e e-commerce precisam funcionar como partes da mesma estratégia.

Pix já influencia a estratégia comercial

Os meios de pagamento também ajudam a explicar a evolução do mercado brasileiro.

Em abril de 2026, durante a campanha do Dia do Frete Grátis monitorada pela Nuvemshop, o Pix respondeu por 49,8% dos pagamentos, contra 45,7% do cartão de crédito.

O dado é particularmente relevante para pequenos e médios lojistas.

Além de reduzir atritos na compra mobile, o Pix disponibiliza recursos rapidamente e pode reduzir custos financeiros quando comparado a determinadas operações com cartão e antecipação de recebíveis.

Isso fez o meio de pagamento deixar de ser apenas uma etapa do checkout.

Ele também pode integrar a estratégia promocional.

Descontos exclusivos no Pix, por exemplo, permitem que empresas utilizem parte da economia financeira para estimular conversão.

Mas existe uma mudança importante: outros estados estão crescendo mais rápido

Talvez o dado mais interessante do cenário atual esteja justamente fora de São Paulo.

Em junho de 2026, os pedidos das lojas paulistas acompanhadas pela Nuvemshop cresceram 31,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

É um avanço expressivo. Mas ficou abaixo do crescimento nacional, de 38,4%.
Outros estados aceleraram muito mais.

Minas Gerais registrou 62% de crescimento nos pedidos. O Espírito Santo avançou 51,8% e o Rio Grande do Sul, 50,6%.

Isso não significa que São Paulo esteja perdendo sua liderança. Significa que o restante do Brasil está amadurecendo digitalmente. E essa desconcentração cria uma nova fase para o comércio eletrônico nacional.

O interior ganha relevância nessa expansão

Essa transformação é particularmente importante para regiões como Ribeirão Preto, Franca e outros polos econômicos do interior paulista.

Durante muito tempo, uma empresa localizada fora da capital dependia fortemente de sua área geográfica de influência.

O comércio eletrônico rompeu essa barreira.

Uma indústria de Franca pode vender diretamente para consumidores de Recife.

Um varejista de Ribeirão Preto pode atender Curitiba.

Uma marca regional pode construir audiência nacional sem necessariamente abrir dezenas de lojas físicas.

Ao mesmo tempo, a localização no interior paulista oferece proximidade com um enorme mercado consumidor e acesso a uma infraestrutura logística cada vez mais desenvolvida.

É justamente essa combinação entre capacidade produtiva regional e distribuição digital nacional que abre novas possibilidades para empresas do interior.

A logística se transforma em diferencial competitivo

Se vender para o Brasil inteiro ficou mais fácil, entregar bem continua sendo um dos grandes desafios.

O consumidor passou a comparar não apenas preços.
Ele compara prazo.
Frete.
Possibilidade de retirada.
Rastreamento.
Política de troca.
Experiência pós-compra.

A FecomercioSP observa que a integração entre físico e digital já se tornou uma questão estratégica para o varejo. Recursos como retirada de pedidos online na loja, troca física e unificação de estoques aparecem como diferenciais competitivos importantes.

A loja física, portanto, não necessariamente perde relevância. Ela muda de função.

Pode virar showroom, ponto de retirada, estrutura logística, espaço de relacionamento e canal de aquisição.

A divisão entre “varejo físico” e “e-commerce” fica cada vez menos precisa.

Crescimento também significa concorrência maior

O protagonismo paulista traz outra consequência: competir nesse mercado está ficando mais difícil.

O consumidor possui mais opções.
Marketplaces profissionalizaram sellers.
Grandes varejistas ampliaram seus ecossistemas.
Plataformas estrangeiras aumentaram presença.
A publicidade digital ficou mais disputada.
E tecnologia antes disponível apenas para grandes empresas tornou-se acessível a negócios menores.

Nesse ambiente, simplesmente colocar produtos online deixou de representar vantagem competitiva.

A empresa precisa desenvolver competências em diferentes frentes: precificação, logística, conteúdo, mídia, CRM, atendimento, tecnologia, dados e retenção.

O e-commerce amadureceu. E a gestão precisa amadurecer junto.

O que empresas podem aprender com a liderança paulista?

A força do e-commerce em São Paulo oferece alguns aprendizados para empresas de todo o Brasil.

O primeiro é que digitalização não deve ser tratada como projeto separado da estratégia comercial.
O segundo é que marketplace pode acelerar distribuição, mas exige profissionalização.
O terceiro é que logística passou a influenciar diretamente conversão e recorrência.
E o quarto talvez seja o mais importante: crescimento de mercado não garante crescimento individual.

Se mais empresas entram no digital, a concorrência também aumenta.

Por isso, negócios precisam acompanhar não apenas faturamento, mas margem, CAC, recompra, ticket médio, conversão e rentabilidade por canal.

São Paulo lidera, mas o próximo ciclo será mais distribuído

Os números mostram duas tendências acontecendo simultaneamente.

De um lado, São Paulo continua sendo o grande protagonista do comércio eletrônico brasileiro. Em junho, respondeu por 46,1% dos pedidos e movimentou R$ 358,1 milhões somente entre as lojas acompanhadas pelo Radar da Nuvemshop.

Do outro, estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul crescem em ritmo superior ao paulista.

Isso indica que a próxima etapa do e-commerce brasileiro poderá ser marcada por uma desconcentração gradual das vendas digitais, com novos polos regionais ganhando escala.

Para empresas paulistas — especialmente aquelas localizadas no interior — o cenário combina oportunidade e pressão competitiva.

Nunca foi tão possível vender para consumidores de qualquer região do Brasil. Mas também nunca houve tantos concorrentes disputando esse mesmo consumidor.

O protagonismo de São Paulo continuará relevante. A diferença é que, daqui para frente, liderar o maior mercado digital do país exigirá muito mais do que simplesmente estar online: será necessário operar melhor, conhecer profundamente o consumidor e transformar tecnologia, logística e dados em vantagem competitiva.

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