SEO morreu? Como a inteligência artificial está mudando o e-commerce — e o que os lojistas precisam fazer agora

MARKETING

Redação

6/9/20264 min read

Durante mais de duas décadas, o SEO (Search Engine Optimization) foi uma das principais estratégias para atrair clientes na internet. Empresas investiram milhões em posicionamento orgânico, produção de conteúdo e otimização para mecanismos de busca.

Mas o avanço da inteligência artificial generativa está provocando uma transformação que muitos especialistas já consideram uma das maiores mudanças da história da internet.

A chegada dos mecanismos de resposta baseados em IA, como Google AI Overview, ChatGPT, Gemini, Perplexity e Copilot, está alterando a forma como consumidores pesquisam, descobrem produtos e tomam decisões de compra.

A grande pergunta que surge é: o SEO realmente morreu?

A resposta é mais complexa do que parece.

O que mudou nas buscas online

Historicamente, o Google funcionava como uma ponte entre usuários e sites.

Uma pessoa realizava uma busca, recebia uma lista de links e escolhia qual página acessar.

Agora, com a integração da inteligência artificial generativa aos mecanismos de busca, o comportamento começa a mudar.

Em vez de apresentar apenas links, plataformas de IA passam a entregar respostas prontas, resumos e recomendações diretamente na tela.

Esse fenômeno impulsionou o crescimento das chamadas buscas "zero-click", quando o usuário obtém a informação sem precisar visitar um site.

Segundo estudos da SparkToro e da Datos, mais da metade das pesquisas realizadas atualmente termina sem clique em nenhum resultado externo.

Isso representa uma mudança significativa para empresas que dependem de tráfego orgânico.

O surgimento do GEO: a evolução do SEO

Diante desse novo cenário, surge um conceito que vem ganhando espaço entre especialistas: GEO (Generative Engine Optimization).

Enquanto o SEO tradicional busca posicionar páginas nos resultados de busca, o GEO tem como objetivo tornar marcas, conteúdos e produtos relevantes para os sistemas de inteligência artificial que geram respostas.

Na prática, a pergunta deixa de ser:

"Como aparecer na primeira página do Google?"

E passa a ser:

"Como fazer minha empresa ser citada pelas inteligências artificiais?"

Essa mudança exige novas estratégias de conteúdo, autoridade digital e construção de marca.

O consumidor está mudando a forma de pesquisar

A geração que cresceu utilizando buscadores tradicionais começa a conviver com consumidores que fazem perguntas diretamente para assistentes de IA.

Em vez de pesquisar:

"Melhor plataforma de e-commerce"

O usuário pergunta:

"Qual a melhor plataforma para uma pequena loja virtual que vende moda e quer crescer nos marketplaces?"

A resposta é personalizada, contextualizada e muito mais próxima de uma conversa humana.

Isso altera completamente a jornada de descoberta.

O SEO não morreu. Ele está evoluindo.

Apesar dos discursos mais alarmistas, especialistas em marketing digital apontam que o SEO continua sendo extremamente relevante.

O que está mudando é o papel que ele desempenha.

Os mecanismos de IA precisam de fontes confiáveis para gerar respostas.

Essas fontes continuam sendo:

  • sites;

  • blogs;

  • portais;

  • estudos;

  • pesquisas;

  • conteúdos especializados.

Ou seja, quem produz conteúdo de qualidade continua tendo vantagem.

A diferença é que agora não basta apenas ranquear.

É preciso construir autoridade.

O crescimento da busca conversacional

Segundo a consultoria Gartner, uma parcela crescente das buscas digitais deverá migrar para interfaces conversacionais nos próximos anos.

Isso não significa o fim dos buscadores.

Significa uma transformação na forma como eles são utilizados.

Empresas precisarão adaptar conteúdos para responder perguntas específicas, aprofundadas e contextualizadas.

O conteúdo superficial tende a perder relevância.

A inteligência artificial está mudando a descoberta de produtos

Outra transformação importante acontece no próprio e-commerce.

Plataformas de IA já começam a recomendar produtos com base em:

  • contexto;

  • intenção;

  • perfil do usuário;

  • histórico de comportamento;

  • necessidades específicas.

Em vez de navegar por dezenas de páginas, consumidores recebem recomendações altamente personalizadas.

Essa tendência pode acelerar a evolução dos chamados "agentes de compra", sistemas capazes de pesquisar, comparar e até realizar compras em nome do usuário.

O papel da marca fica ainda mais importante

Se as inteligências artificiais passarem a intermediar parte da jornada de compra, a construção de marca ganha ainda mais relevância.

Marcas fortes possuem maior probabilidade de serem:

  • lembradas;

  • recomendadas;

  • pesquisadas;

  • citadas.

Isso reforça a importância de investir em:

  • branding;

  • autoridade;

  • comunidade;

  • experiência do cliente;

  • presença multicanal.

No futuro, a confiança poderá ser tão importante quanto o preço.

Como as empresas podem se preparar

Algumas ações já começam a se destacar:

Produzir conteúdo especializado

Conteúdos profundos, originais e relevantes tendem a ganhar mais valor para mecanismos de IA.

Construir autoridade digital

Participação em eventos, entrevistas, artigos e estudos ajudam a fortalecer reputação.

Diversificar canais de aquisição

Empresas não devem depender exclusivamente de tráfego orgânico.

Investir em marca

Marcas reconhecidas possuem mais força em ambientes digitais cada vez mais competitivos.

Utilizar IA internamente

Ferramentas de inteligência artificial podem aumentar produtividade, análise de dados e eficiência operacional.

O futuro do e-commerce não será menos digital. Será mais inteligente.

A narrativa de que "o e-commerce acabou" ou que "o SEO morreu" simplifica excessivamente uma transformação muito mais profunda.

O que estamos vivendo é uma mudança na forma como consumidores encontram informações, descobrem produtos e interagem com marcas.

A inteligência artificial não elimina o marketing digital.

Ela redefine suas regras.

Empresas que entenderem essa evolução terão novas oportunidades de crescimento.

Já aquelas que insistirem em estratégias pensadas para uma internet de dez anos atrás poderão enfrentar dificuldades cada vez maiores.

No final das contas, o princípio continua o mesmo: quem gerar valor para o consumidor continuará encontrando espaço para crescer.

A diferença é que agora essa jornada passa também pelos algoritmos, pelas inteligências artificiais e por uma nova geração de mecanismos de descoberta digital.

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