Temu, Shopee e Shein aceleram no Brasil e “encostam” no Mercado Livre: o que muda na disputa dos marketplaces em 2026
VAREJO
Redação
2/13/20263 min read
Os marketplaces asiáticos Temu, Shopee e Shein estão acelerando a presença no Brasil e passaram a disputar, com muito mais força, a atenção do consumidor — especialmente no ambiente mobile, onde o hábito de compra se consolida. Um sinal claro disso apareceu no estudo Top Apps Brasil 2025, da RankMyApp, que analisou desempenho de aplicativos a partir de dados da Google Play Store e da Apple App Store.
O resultado reforça um ponto-chave para o ecossistema de e-commerce: a batalha agora é por mindshare (atenção), appshare (instalação/uso) e frequência de compra — e não apenas por “quem tem o frete mais barato”.
O termômetro do mobile: ranking mostra distância mínima entre líderes
Na categoria Compras, o Mercado Livre segue na liderança, mas com diferença apertada em relação às plataformas asiáticas — especialmente no Android. Segundo a Mercado & Consumo (com base no Top Apps Brasil 2025), a pontuação foi: Mercado Livre (17.720), Temu (17.706), Shopee (17.649) e Shein (16.877). No iOS, a distância também fica curta: Mercado Livre (17.651), Temu (17.512) e Shopee (17.493).
O que isso sugere, na prática?
A disputa por “top of mind” virou disputa por “top of screen” (quem está mais presente e mais usado no celular).
O consumidor está cada vez mais confortável em alternar apps conforme promoção, oferta e dinâmica de descoberta.
A concorrência também aparece na web: Temu já entra no top 5
Além do app, a disputa se reflete em tráfego. No ranking de E-commerce & Shopping no Brasil para janeiro de 2026, a Similarweb coloca mercadolivre.com.br em 1º, amazon.com.br em 2º, shopee.com.br em 3º e temu.com em 4º.
Isso importa porque indica uma mudança estrutural: os novos entrantes estão deixando de ser “alternativa ocasional” e virando canal recorrente de pesquisa e compra.
Por que elas estão ganhando terreno: preço, gamificação e dados
A Mercado & Consumo atribui o avanço a uma combinação de preços agressivos, experiências gamificadas, uso intensivo de dados e maior aceitação do consumidor a prazos mais longos em troca de desconto.
Essa fórmula “prende” o usuário por três motivos:
Descoberta constante (efeito vitrine infinita)
Recompensa por interação (cupons, moedas, missões)
Personalização rápida (ofertas ajustadas em ciclos curtos)
Nem a “taxa das blusinhas” segurou: o jogo virou ecossistema + logística
Mesmo com mudanças regulatórias nas remessas internacionais, a pressão competitiva continuou. Um relatório citado pelo NeoFeed, com base em análises do BTG Pactual, aponta que a competição com plataformas asiáticas exige “escala, alavancagem de ecossistema e densidade logística local”.
E, do lado regulatório, informações públicas da Receita Federal explicam a lógica do Programa Remessa Conforme e o imposto aplicado a compras internacionais (incluindo regras e exemplos de tributação).
Tradução para quem opera e-commerce: promoção traz tráfego, mas logística e operação sustentam recorrência.
O impacto prático para marcas, indústrias e sellers
A aceleração de Temu, Shopee e Shein “encostando” no Mercado Livre muda o plano de jogo em 2026:
1) “Marketplace mix” vira estratégia obrigatória
Sellers precisam decidir onde competir por:
volume (categorias de baixo ticket e alta elasticidade)
margem (itens diferenciados, kits, bundles, exclusividades)
marca (construção de reputação e comunidade)
2) Marca e diferenciação ficam mais valiosas
Quando a decisão é guiada por preço, quem não diferencia vira commodity. A saída é fortalecer:
proposta de valor (qualidade, garantia, compatibilidade, curadoria)
conteúdo (fotos, vídeo, guias, comparativos)
pós-venda (SLA, rastreio, suporte e troca)
3) Operação precisa ser “anti-guerra de preço”
Se o concorrente subsidia aquisição, sua defesa é eficiência:
sortimento inteligente (menos SKU ruim, mais campeão)
precificação dinâmica por margem mínima
negociação com fornecedores e logística
redução de ruptura e atraso (porque reputação pesa no algoritmo)
Recomendações objetivas para o público da ExpoEcomm
Para quem quer crescer nesse cenário:
Escolha 1–2 categorias para vencer, não 10 para empatar (foque onde você tem vantagem real).
Otimize a página de produto como se fosse um anúncio: título, atributos, prova social e perguntas/respostas.
Crie bundles e kits para fugir da comparação direta por preço unitário.
Trabalhe “logística como produto”: prazo, previsibilidade e rastreio aumentam conversão e recompra.
Construa marca fora do marketplace (conteúdo, comunidade, CRM) para reduzir dependência do leilão de atenção.
Conclusão: o Brasil entrou na era dos “supermarketplaces”
O que estamos vendo não é só crescimento de três apps — é a consolidação de um novo estágio do e-commerce brasileiro: a era dos supermarketplaces, onde poucos players concentram tráfego, atenção e frequência.
Com Temu, Shopee e Shein encostando no Mercado Livre em performance mobile (Top Apps Brasil 2025) e a Temu já figurando entre os sites líderes do país em janeiro de 2026 , a pergunta para marcas e sellers deixa de ser “se” devem se adaptar — e passa a ser como criar vantagem competitiva além do preço.
Em 2026, vence quem combina canal + operação + marca.
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