Vender nos grandes Marketplaces é preciso, mas trabalhar sua marca é sobrevivência e diferencial!
CLEBER VIEIRA
Colunista
5/7/20264 min read


Por: Cleber Vieira
Com sólida formação em Administração de Empresas, MBA em Gestão de Varejo e E-commerce, além de especializações em Analytics e Técnicas Avançadas de Gestão em E-commerce, Cleber atua há mais de 12 anos na liderança de operações digitais. Com uma trajetória marcada por mais de 24 anos de experiência em relacionamento com o cliente e 18 anos no varejo, hoje é Gerente de E-commerce do Grupo CVLB, responsável pelas estratégias digitais das marcas Casa&Video e Le biscuit.
No mês de Abril escrevi um artigo no Linkedin sobre a participação dos grandes marketplaces no e-commerce brasileiro. Eles concentram audiência, conveniência e logística cada vez mais eficiente. Para muitos varejistas, vender nesses canais deixou de ser escolha e passou a ser necessidade.
Mas existe um ponto que merece atenção: marketplace pode impulsionar vendas, porém dificilmente substitui aquilo que realmente sustenta um negócio no longo prazo — marca forte, relacionamento com o cliente e experiência diferenciada.
Por isso a provocação feita que gerou bastante engajamento foi:
- Devemos apostar nos grandes Marketplaces para sustentar nosso negócio? A dependência não causará um esquecimento da marca para o cliente?
A resposta é sim para os dois. A pergunta certa agora é: Como crescer nesses ambientes sem abrir mão da relevância da sua própria marca?
Marketplace é canal. Marca é patrimônio.
Estar presente em grandes plataformas pode gerar giro de estoque, visibilidade e escala. Porém, quando toda a estratégia depende apenas desse modelo, a empresa tende a competir somente por preço, prazo e mídia patrocinada.
Nesse cenário, o cliente lembra onde comprou, mas nem sempre de quem comprou.
Já marcas fortes criam algo mais valioso:
Preferência de compra
Recompra direta
Menor dependência de desconto
Maior margem
Busca orgânica
É por isso que vender em marketplace pode ser importante. Mas construir marca é indispensável.
O grande diferencial do varejo físico ainda pouco explorado
Muitos varejistas possuem um ativo poderoso e subutilizado: a rede de lojas físicas.
Enquanto players puramente digitais precisam terceirizar parte da experiência local, quem já possui lojas pode transformar essas unidades em hubs estratégicos de conveniência, relacionamento e velocidade.
A loja física moderna não precisa ser apenas ponto de venda. Ela pode ser:
Mini centro de distribuição urbano
Ponto de retirada em poucas horas
Local de troca imediata
Showroom de demonstração
Canal de venda assistida
Base para entregas locais rápidas
Espaço de fidelização, Cross-sell e serviços
Quando integrada ao digital, a loja deixa de ser custo e passa a ser vantagem competitiva.
Exemplos práticos de como se destacar no Omnichannel
1. Retire hoje na loja mais próxima
O consumidor compra online pela manhã e retira no mesmo dia.
Benefícios:
Reduz custo logístico
Aumenta fluxo em loja
Gera vendas adicionais com campanhas Cross-Sell
Melhora satisfação do cliente
2. Entrega local em poucas horas
Produtos disponíveis no estoque da loja podem sair diretamente da unidade mais próxima do cliente.
Benefícios:
Entrega mais rápida
Menor frete
Maior conversão
Uso inteligente do estoque parado
3. Troca simplificada em loja física
Mesmo quando a compra é digital, o cliente resolve a troca presencialmente.
Benefícios:
Confiança maior na compra online
Menos atrito no pós-venda
Fidelização
4. Venda assistida no salão
O vendedor da loja acessa catálogo ampliado no tablet ou POS e vende itens não expostos fisicamente. Conhecida atualmente como Prateleira infinita.
Benefícios:
Sortimento muito mais amplo
Aumento de ticket médio
Menos ruptura
Aqui vale ressaltar que pela pesquisa do IBGE em 2025, estimou que 20,5 milhões de pessoas (cerca de 10,9% da população economicamente ativa do páis) não faz nenhuma compra online. E segundo o estudo da Wake com Opinion Box, agora em 2026, indica que embora 74,4% comprem pela internet com frequência, o consumidor é híbrido, transitando entre físico e digital, sendo a loja física a primeira opção para novos produtos em muitos casos
5. CRM integrado entre canais
Cliente compra no site, retira na loja, recebe ofertas relevantes no WhatsApp e retorna ao ecossistema da marca.
Benefícios:
Recorrência
Personalização
Maior lifetime value
O cliente quer conveniência, não canal
O consumidor não pensa em online ou offline. Ele pensa em resolver sua compra da forma mais simples possível. Quer pesquisar no celular, tirar dúvida rápida, pagar com facilidade, receber logo e ter suporte se precisar.
Empresas que insistem em separar canais perdem eficiência. Empresas que integram canais ganham preferência.
Onde muitos varejistas erram
Alguns negócios investem tudo em mídia para vender em terceiros e pouco em ativos próprios.
Outros mantêm lojas físicas sem conexão real com o digital.
Nos dois casos, desperdiçam oportunidades.
A melhor estratégia costuma estar no equilíbrio:
Marketplace para escala
E-commerce próprio para margem e relacionamento
Loja física para conveniência e experiência
CRM para retenção
Marca para diferenciação e relacionamento
O novo papel da loja física
A loja física não desapareceu e muito menos é canal de conflito com o digital. Ela evoluiu, agora precisa ser parte fundamental de um ecossistema para atender as necessidades cada vez mais distintas do cliente.
Em muitos segmentos, especialmente bens duráveis, eletrônicos, casa, moda e conveniência, ela continua decisiva para:
Gerar confiança
Acelerar entrega
Resolver problemas
Aumentar conversão
Humanizar a marca
Ou seja,
Vender nos grandes marketplaces é preciso. Eles são parte importante do varejo moderno.
Mas o diferencial competitivo de longo prazo continuará com quem souber usar sua marca e sua operação própria de forma inteligente. Para varejistas com lojas físicas, a oportunidade está clara: transformar presença local em velocidade, experiência e relacionamento.
No fim, tráfego pode ser alugado. Confiança e preferência precisam ser construídas.
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